Por: Ana Luiza
Fotos do acervo pessoal da autora
No dia 23 de Outubro de 2013 eu fui ao médico pela primeira vez depois de um tempo consideravelmente grande. Nos dias 4 de Novembro e 23 de Dezembro passei por cirurgias. Do dia 13 de Janeiro ao dia 21 de Abril passei pela Quimioterapia. Mas finalmente, na Terça-Feira, 8 de Julho, enquanto para alguns era marcado na história do futebol, a maior goleada em copas, uma grande derrota, na minha vida era marcada uma grande Vitória (com V maiúsculo mesmo).

Ao contrário das pessoas normais que nascem uma vez e dos católicos normais que nascem três vezes (nascimento, batismo e nascimento para a vida eterna), eu no alto dos meus 19 anos já experimentei nascer mais vezes. Diferente do que acontece no nosso natal, ou no nosso batismo, onde participamos de uma forma inconsciente, eu participei desse meu terceiro nascimento de uma forma consciente e proveitosa. 


Os meus cabelos curtos me lembram que mais uma vez sou como criança que precisa aprender algumas coisas. Aprender as semelhanças, mas também as diferenças entre o futebol e a vida real, e quando precisamos parar de confundi-las. Aprender a amar mais ao próximo. Sabe os clichês: “Ama? Fale”, “Tá magoado? Perdoe”, “Machucou? Peça perdão” e “A vida é curta”, então... eles começaram a fazer realmente bastante sentido. 

A experiência pela qual passei me fez pensar que não sou mais tão pequena espiritualmente. Durante esses nove meses, eu fui gestada, e aos poucos preparada para sair de dentro do aconchego paterno e finalmente conhecer o mundo como ele é. Conheci a dor de estar doente e me sentir completamente impotente a esse respeito, pois nem mesmo os meus maiores esforços poderiam me levar a acrescentar sequer um dia à minha vida. Conheci verdadeiramente o amor de Deus que nunca nos abandona. Eu fui feliz e me senti amada na minha dor. 

Há várias mensagens subliminares em tudo que vivi, mas se eu fosse listar todas, renderiam alguns textos. Não é necessário passar por uma doença para valorizarmos mais a vida, ou prestarmos mais atenção ou até mesmo para confiar mais no amor de Deus e na sua presença constante, basta que o façamos nas coisas simples da vida. Talvez seja mais difícil, mas dói menos. 

Por fim, fica o meu sincero agradecimento por cada oração, por cada abraço, sorriso e presença (mesmo quando distante fisicamente). Ainda em clima de copa: nesses tempos fui acompanhada pela minha seleção, a minha equipe, eu não venci sozinha. Nós vencemos juntos, é claro que com o nosso técnico especial: Jesus Cristo. Sem estressar com uma derrota meramente simbólica, que não nos afeta efetivamente, vamos nos preocupar com as nossas, talvez pequenas, mas efetivas vitórias. Alegria ganha da tristeza, né?!! Uma citação que me ajudou muito na parte de dar valor às coisas simples foi: “Eu aprendi que são os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espetacular!”. Eu sei que não é fácil ver a vida assim, mas vamos tentar? Vale a pena! Até porque só vale a pena viver, pelo que vale a pena morrer.

Ana Luiza Barchilon
Estudante de Engenharia / PUC-RJ

1 comentários:

Marina disse...

Lindo texto, ana luiza!! Muitos parabéns pela sua força, sua coragem, sua persistência, seu otimismo e tudo que fez você vencer essa doença terrível que é o cancer! Nao te conheço, mas nem preciso para dizer que você é uma pessoa cheia de amor e que vai sempre vencer na vida! Tudo de melhor para voce!

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