Por: Bernardo




http://www.juniorflor.com.br/blog/2010/10/08/o-debate-politico-e-saudavel-a-politica/


Antes de começar a escrever este texto acho que devo ser honesto e deixar claro que tenho grandes críticas ao Partido Democrata americano e se tivesse que fazer uma escolha binária me definiria como republicano (com algumas ressalvas). Além disso, tenho grandes críticas ao ex-presidente americano Bill Clinton e a sua esposa, Hillary Clinton (atual Secretária de Estado Americano provável candidata a presidente em 2016) principalmente após seu discurso na conferência Rio+20.

Estou estudando na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, e este ano vem a ser um ano de eleições de nível estadual em Minnesota – governador e senador. Por esse motivo, a sociedade de estudantes democratas, junto aos líderes do Partido Democrata em Minnesota, organizou um evento de campanha em um auditório da universidade. Nesse evento, grandes personalidades do Partido Democrata discursaram para defender as ações do governo nos últimos anos. Entre as pessoas que discursaram estavam o diretor do partido em Minnesota, a senadora de Minnesota Amy Klobuchar, o senador de Minnesota Al Franken (tentando reeleição), o governador de Minnesota Mark Dayton e a grande personalidade do evento: o ex-presidente dos Estados Unidos,  Bill Clinton.
Pelo que pude acompanhar desta atual eleição em Minnesota, o Partido Republicano tem feito algo que é um tanto errado quando se fala em campanha. Pelo fato de o Partido Democrata estar no governo (tanto do senado quanto do estado) e o governo Obama estar bem impopular nos EUA, boa parte da campanha republicana consiste em atacar o Partido Democrata. Boa parte dos comerciais consiste em destacar os erros cometidos pelo partido rival e pouco é falado em termos de planos de governo. Também deixo claro que o Partido Democrata age da mesma maneira inúmeras vezes.

Bill Clinton, ao subir no palco e ser aplaudido por uma plateia nostálgica pela economia americana dos anos 90, começou o seu discurso. Primeiro, obviamente, falou dos feitos do governador Dayton e do senador Al Franken, algo não muito interessante. A sequência, porém,  foi muito instigante.
O ex-presidente começou falando como o estado de Minnesota hoje é uma grande referência para o Estados Unidos – com um dos melhores índices de desemprego, com uma universidade pioneira em diversos campos, educação básica entre as melhores da América, etc. Então ele citou os ataques feitos pelos republicanos em seus comerciais que só envolvem críticas aos democratas, sem citar nada de bom que o governo tenha feito e como eles pretendem fazer com que algum dos programas que estão dando certo continuem a dar certo em um eventual governo republicano.
Bill Clinton continuou em uma reflexão sobre o tema: “Se tudo estiver bem, nós (republicanos e democratas) vamos ter que trabalhar juntos, se tudo estiver ruim nós também vamos ter que trabalhar juntos”. Em seguida,  continuou falando sobre o como é intelectualmente honesto e patriótico afirmar que políticas de um “rival” são boas e que você pode melhorar e quanto é algo estúpido ignorar e apenas encher de críticas outro candidato.
Ao final do seu discurso, Bill Clinton concluiu, de certa forma, criticando os eleitores. Primeiro ele falou que os que mais devem estar interessados nas eleições são os jovens. Afinal, como ele mesmo disse, ele tem “mais ‘ontens’ do que ‘amanhãs’” e os jovens universitários é que vão se beneficiar ou sofrer com os erros e acertos dos políticos de hoje. Então, ele fechou seu discurso falando que o seu papel ali era semelhante a um cavalo de corrida aposentado – as pessoas o levam para chamar atenção para algo e para arrancar alguns aplausos – e nada do que ele havia falado estava fora do alcance de qualquer uma das pessoas no auditório.

Não acompanhei as eleições presidenciais do Brasil, a não ser pelo que alguns amigos postaram em seus perfis do Facebook (algo bem tendencioso). Mas vi que a grande maioria dos posts consistiu em campanha contra um dos candidatos, alguns poucos sobre sucessos de seu candidato preferido e praticamente nenhum defendendo um projeto futuro. Em grande parte me lembraram posts após clássicos de futebol. Algo como: seu time é sempre melhor, o adversário teve ajuda da arbitragem, recordação de jogos de anos atrás e quando necessário sai das quatro linhas falando sobre a torcida, história etc.

No final do seu discurso, Bill Clinton deixou bem claro que governantes são seres humanos, passíveis de errar e de acertar. Por isso políticos devem trabalhar juntos a favor do país e que a oposição deve ser feita para vigiar e corrigir erros, principalmente antes de se tornarem catástrofes e não esperar que catástrofes aconteçam para que isso seja objeto da próxima campanha. Afinal um país extremamente dividido se torna fraco; e falando em Estados UNIDOS, estar dividido é que vai contra seus princípios e um de seus lemas, “United are we” (Unidos somos nós).

Texto escrito no dia 26 de Outubro de 2014, antes das eleições estaduais americanas.


Bernardo da Costa
Estudante da Universidade de Minnesota/Oficina de Valores

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