Por: Yuri




Rir é o melhor remédio, afinal, quem nunca se sentiu melhor ao esquecer algum problema trocando lágrimas por escandalosas risadas na companhia de quem se ama? Na euforia do dia-a-dia, em meio aos infinitos afazeres pendentes, qual o preço de tirar um bom tempo para rir? Vejo cada dia mais uma valorização (leia-se necessidade) de se tirar um tempo para desfrutar de boas risadas, principalmente daquelas que são desfrutadas na presença de amigos.

 Deve ser de conhecimento geral que muitas pessoas possuem esse “dom” de fazer com que os outros riam. É muito provável que você, meu caro leitor, tenha aquele amigo que só de chegar no mesmo ambiente que você já consegue arrancar um leve sorriso seu. E se ele começar a agir com aquele jeito único dele, risadas não faltarão... Pois é, meu caro! Certas pessoas têm esse dom de alegrar nossas vidas com palhaçadas. Vamos aqui nesse texto denominar essas pessoas como “palhaços”, de modo não pejorativo. Esses palhaços parecem que não necessitam de muitos esforços para tornar o clima mais descontraído, divertido... Parece que já é algo intrínseco deles.

 O cinema mundial possui grandes ícones desse tipo: palhaços mundialmente conhecidos. Podemos pensar em diversos deles: Adam Sandler, Ben Stiller, Rob Schneider, Chris Rock e por aí vai. Não sei se é um caso comum (imagino que sim), mas quando vejo o trailer ou cartaz de algum filme que envolva esses atores (que eu particularmente gosto muito) procuro assistir o quanto antes, crio grandes expectativas com relação à obra e geralmente espero dar altas risadas no decorrer do filme. Algumas vezes paro pra refletir sobre a influência que o talento desses palhaços tem sobre mim. Será que esses palhaços que nos rodeiam diariamente tem tanto “poder” assim? Se pararmos para pensar na importância que o humor tem, percebemos que tal questionamento se direciona a um “sim”. Às vezes nem percebemos o bem que nos faz, por estarmos acostumados com sua presença, e simplesmente participamos de momentos com eles. Mas nesse texto quero oferecer outro ponto de vista...

 “Ouvi uma piada uma vez: Um homem vai ao médico, diz que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador onde o que se anuncia é vago e incerto. O médico diz: “O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade, assista ao espetáculo. Isso deve animá-lo.” O homem se desfaz em lágrimas e diz: ‘Mas, doutor... Eu sou o Pagliacci.’”.

Não sei se é de conhecimento geral a história de Pagliacci e, para falar a verdade, até pouco tempo atrás eu não a conhecia. Comentei sobre o tema com um amigo e ele me indicou a história... No filme “O palhaço”, com Selton Mello, em certo momento é colocado um questionamento interessante, em que o palhaço diz “Eu faço o povo rir. Mas e aí? Quem é que vai me fazer rir?”. De fato, quem conhece um sorriso de verdade, sabe que nem todo palhaço é feliz. E esse é o ponto que quero tratar aqui.

 Cada pessoa com a qual convivemos diariamente possui uma história da qual podemos não saber nada a respeito, por isso é difícil desvendarmos o que as pessoas estão sentindo. Isso implica na necessidade de termos cuidado ao nos relacionarmos com as pessoas, nas coisas que falamos e no modo como agimos. O exterior muitas vezes é enganador, uma espécie de carcaça que impede que nossos verdadeiros sentimentos sejam transparentes.

 Max Linder, o mentor de Charles Chaplin, conhecido pela sua influência cômica, cortou seus pulsos aos 42 anos. No fim de julho do ano passado, o humorista Fausto Fanti, da dupla Hermes e Renato, foi encontrado morto em seu apartamento em São Paulo com um cinto em torno do pescoço. Robin Willians, conhecido pelos seus diversos personagens cômicos, suicidou-se em sua casa na Califórnia. Peter Sellers, conhecido pelo seu papel de Dr. Fantástico, tinha um enorme índice de aprovação de seus telespectadores e relatou em uma de suas entrevistas: “Eu odeio tudo o que eu faço, não sei como vocês ainda gostam!”. Isso nos leva a pensar que os verdadeiros e geniais humoristas são também pessoas complexas que se antagonizam com suas aparências externas.

Por mais que muitas vezes não percebamos, utilizamos do sorriso como uma máscara... Uma forma de esconder a tristeza pelo simples fato de não querermos que as pessoas se preocupem conosco, com o que estamos passando; muitas vezes o orgulho é maior e nos fechamos em nossas dores. E, por mais que não queiramos admitir,  isso nos mata aos poucos, mesmo sem percebermos.

 É exatamente por casos desse tipo que me pus a escrever esse texto. Nós não podemos deixar de olhar com cautela pra ninguém. Esse é um tema sobre o qual escrevo com autoridade e certeza, pois me identifico por vezes com esse tipo de situação. Costumo dizer que poucos me conhecem, porque poucos conseguem me levar a sério quando realmente é preciso, e isso incomoda... incomoda muito. Talvez por eu possuir um jeito mais descontraído e brincalhão, eu provoque isso nas pessoas e é por isso que trato do tema. Eu não sei bem a realidade daqueles humoristas citados, mas acredito que a incompreensão seja um agravante.

Não podemos simplesmente julgar as pessoas pelo que elas aparentam e isso se aplica em qualquer área da nossa vida: Pessoas que encontramos na faculdade, no trabalho, dentro de casa, em todo lugar! Todos podemos ser vítimas dessa opacidade de sentimentos, por isso a necessidade do diálogo. Conversar com as pessoas de modo que mostremos preocupação com o que elas passam verdadeiramente. Talvez você possa ser o palhaço na vida de um Pagliacci que esteja precisando rir...



Yuri Weilemann
Estudante de Engenharia - UCP / Oficina de Valores


1 comentários:

João Pedro Otnemicsan disse...

Ótimo texto! Quando li o título, na hora lembrei da história do Pagliacci (que é contada pelo Rorschach em Watchmen), e é de se imaginar minha surpresa ao ver você citá-lo.
Penso que seu texto tem grande relação com uma frase de Carl Jung, "conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana".
Enfim, parabéns! Os "palhaços" claramente irão entender o que tu dizes, e a identificação será imediata. Abraços.

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