Por: Nathalia


Imagem de www.huffingtonpost.com

Mas e se eu não quiser? 

O feminismo é um tema que está em pauta há algum tempo. Existem várias vertentes do feminismo, mas resumidamente é um movimento de mulheres que defendem a igualdade dos sexos, lutando pelos mesmos direitos dos homens, sejam eles nos âmbitos social, político ou econômico. Defendendo o pleno direito sobre seu corpo, fazendo assim dele o que quiser. 

Tenho algumas amigas que são feministas e não tenho problema algum com isso, o que me incomoda não é o movimento em si e a luta pelos direitos; pelo contrário, acho justo sim nós mulheres ganharmos o mesmo salário que os homens, ocuparmos cargos de responsabilidade, não sermos discriminadas só por sermos mulheres. Alguns dos pontos básicos do feminismo são realmente motivos de luta sim... 

Apesar de toda essa “simpatia” por alguns pontos, eu vejo problema em aderir totalmente ao movimento. Deixa eu explicar…. Não é que eu seja machista e queira ficar presa em casa, lavando, cozinhando, não é que eu ache desmerecido a mulher se igualar ao homem diante da sua inteligência e intelectualidade. Eu não acredito que a mulher seja menos que o homem ou que ela seja incapaz. Graças a luta das mulheres, hoje nós conseguimos muitas coisas boas, como o direito ao voto, e vários reconhecimentos perante a sociedade e isso é realmente louvável. 

O que me incomoda no movimento (de forma generalizada) é ouvir que estou contra as mulheres quando penso de forma mais “tradicional” e contra alguns pensamentos feministas. Quando digo que não vejo problema algum em abrir mão do meu trabalho por conta da família, ou quando digo que preciso de um homem para trocar uma lâmpada. Eu não vejo problema algum em nada disso. Eu acredito que somos mentalmente e geneticamente diferentes, e que mulheres tem características diferentes dos homens. Por sermos diferentes também entre  nós existem mulheres que gostam e que tem mais capacidades para certos serviços que as outras. Mas falando de mim:  sim, eu não aguento uma sacola pesada de compras, eu não sei consertar um encanamento, e eu sou delicada, sei fazer coisas com cuidado e reparo bem nos detalhes... e essas características se completam quando juntas. 

Não estou aqui para falar sobre ideologia de gênero, o que eu estou querendo dizer é que eu posso me assumir como mulher e abraçar as características tradicionalmente femininas sem querer ser julgada por isso. Há beleza em ser mulher e assumir certos atributos. Entendo que o feminismo não exclui minha opção de ser feminina, mas impõe que eu deva ser independente de uma maneira radical. Mas e se eu não quiser? E se meu sonho for casar, ter filhos e, se preciso,  abandonar minha carreira profissional pra isso? Vejo o tempo todo nas redes sociais o tipo de frase como “Não precisa abrir a porta pra mim, eu sei abrir”, “Eu pago a minha parte da conta”, “O corpo é meu faço o que eu quiser”, entre outras frases típicas, e vi até nesses últimos dias uma reportagem de uma mulher que bateu em um homem porque ele deu uma rosa pra ela, comemorando o dia da mulher. Eu não quero ser assim. 

Eu acho realmente bonito o cuidado que o homem tem com a mulher, de querer proteger. Não vejo mal em deixar o cara pagar a conta, é só um gesto de cavalheirismo isso não significa que eu não tenha dinheiro para pagar e ele, se tiver o mínimo de bom senso, também não está querendo dizer isso. Nem sempre o homem quer provar que ele é melhor ou superior, ele só está querendo ser gentil.  Penso que não há problema em uma mulher querer esse tipo de atitude vinda de um homem. Há algo de errado em pararmos de ser superindependentes algumas vezes e desejarmos ser cuidadas por alguém? 

Chega a ser difícil você encontrar uma menina que pensa como eu.  Falo pelas experiências que tenho vivido:  muitas pessoas acham um absurdo quando dou minha opinião a respeito disso.  
Para deixar as coisas bem claras: eu quero também fazer uma faculdade, ter uma carreira, mas muito antes disso eu quero cuidar da minha casa, deixar a casa acolhedora pra quando o meu marido chegar encontrar um ambiente gostoso de ficar. Eu quero que ele me ajude porque sabe que é importante e eu quero trabalhar porque sei que posso, e que isso também vai me realizar. Mas nada no mundo vai me realizar mais do que poder ver o primeiro passo do meu filho, e se pra isso meu futuro marido tiver que trabalhar sozinho e eu ficar em casa, farei com muito orgulho. Ele deve me completar, ter as características que me acrescentam. Isso encanta demais! Não quero ser independente sempre, quero ser cuidada e cuidar do jeito que eu sou. 

Se você é feminista, obrigada! Graças a luta de muitas feministas, hoje posso fazer muita coisa que minha avó não podia, e se você está bem assim, que bom. Eu também sou muito feliz assim, e caso você não esteja, saiba que não há problema algum em assumir suas fraquezas; que não há vergonha em achar o cavalheirismo um gesto bonito e que ser dona de casa não faz de você uma mulher impotente. No fim das contas, somos todas maravilhosas, cada uma com seu jeito e ideal, somos lindas, e podemos fazer muito ainda. 


Nathalia Marques
Estudante de Arquitetura / Oficina de Valores

1 comentários:

Jefferson Prata disse...

Excelente texto, concordo com seu ponto de vista. Hoje em dia está cada vez mais difícil encontrar mulheres "femininas", que não se ofendem ou se sentem constrangidas se você abre alguma porta para elas, as presentei com rosas ou paga alguma conta. Eu sempre busquei agir de um modo tradicional, fazendo todas essas coisas, e já enfrentei alguns problemas e críticas, pois para alguns tentar ser cavalheiro hoje em dia também é algo "old fashioned", e fora dos contextos da nossa sociedade. Como eu não concordo com muitas valores da nossa atual sociedade, eu nunca me importei em agir desse modo, o qual considero correto.

Postar um comentário