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Por: Joyce Scoralick.


fonte da imagem: http://www.fotolog.com/ananhezini

Uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha vida foi minha conversão. Sempre fui deísta, mas a Igreja me proporcionou a liberdade verdadeira de ter encontrado Deus e o que Ele deseja pra mim, minha felicidade completa e minha existência em plenitude com Sua criação.

É até poético, né? A conversão faz maravilhas por nós. Claro que antes dela não sentimos a menor falta (só sabemos o que estamos perdendo quando conhecemos o que não está ali). Uma vez inseridos nesse âmbito, mudamos e somos mais felizes; não que seja fácil (ser católico não facilita a vida de ninguém no sentido prático/preguiçoso pós-moderno!), mas nos percebemos e ficamos mais tranquilos e prontos pra encarar a vida.
A conversão, dentro do que vejo, se dá de duas formas: um processo e um ponto. Explico: existe um processo que vai te levar àquilo, te mostrar que existe e fazer você considerar. Um amigo que te apresenta? Sua família? Aquela missa de formatura que você foi obrigado a ir em que as palavras te tocaram e você começou a refletir? Não sei, são muitas variáveis e cada um tem a sua. O processo é aquele caminhar que um dia culminou no ponto. O que chamo de ponto é aquele momento em que você se percebe ou se coloca como católico. São duas coisas mágicas: a descoberta, o traçado e a virada.
O grande lance é o que vem depois do ponto. Talvez tenham sido dias em um retiro, ou uma oração. Voltar à vida depois disso apresenta um desafio verdadeiro. Por quê? O “mundo real” não é o clima perfeito para a gente se manter aquele convertido fervoroso do ponto. Falta de tempo, redes sociais, trânsito, aqueles amigos tatus (que querem levar a gente para o buraco): tudo parece divergir daquela alegria imensa e daquela sensação de encontro que a gente havia sentido. E aí? E aí que o que vem é uma sensação de estar no meio, em um lugar que não é lugar – já se experimentou o pertencimento a uma realidade sobrenatural e maravilhosa, mas a vida sempre foi aquela e ela grita lá do fundo daquele poço confortável onde tem tanta gente, tanta folga...
Corre-se o risco de a conversão esfriar e, nesse entre-lugar, sermos mornos. Que tristeza! Nem pra um lado nem pro outro, ficar nesse meio confortável em que se aproveita o bom de cada um. “Vou à Missa quando a balada de sábado não atrapalhar a levantar”.
Por isso é importante lembrar algumas coisas de que eu mesma tento me lembrar todos os dias: a conversão é muito mais que um processo e um ponto. Ela é um processo, um ponto e uma vida de convergências. Não posso sair do mundo divergente do que acredito – então preciso (eu comigo) lutar para convergir. Aguardar para que a conversão aconteça é um tiro no pé à medida que entendemos que Deus oferece Suas maravilhas, mas depende inteiramente de nós permanecer na Sua Graça. A Sua oferta está sempre de pé.
Enquanto aguardarmos no acostamento, a conversão fica lá, pronta para ser feita e eu é que fico parado. E pra fazer relação com a piadinha da imagem, lembrar que na vida como nas estradas, eu nunca paro de caminhar e, assim, posso sempre escolher pra onde estou indo.

Joyce Scoralick S. Weber
Mestre em Literatura

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