Por: Gustavo

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Desencontrado


“No que diz respeito a encontrar meu lugar neste mundo,
só me vejo tranquilo de ter acertado deitado no túmulo.
Engraçado: é o único onde estou certo, e muito, de logo não querer estar.
Mas saber onde estar até lá é que é, no pensar e viver, um tumulto.”


De vez em quando, sou tomado por uma incômoda sensação de que ainda não encontrei meu lugar nesse mundo. Eu me pergunto constantemente se estou onde deveria estar, com quem deveria estar e fazendo o que deveria fazer. Não é infelicidade ou crise existencial, não mesmo! Eu sou feliz com a vida que levo. Só me pergunto se estou levando-a pelo caminho certo e mesmo se há um caminho certo, algum tipo de destino que não é inevitável, que pode, talvez e infelizmente, não se cumprir se eu não souber encontrá-lo.

A sensação não é uma profunda tristeza ou um imenso vazio, é mais como aquele tipo de dorezinhas chatas que se tem de vez em quando, que não te invalida ou impede de fazer as coisas, mas te incomoda ininterruptamente como que para fazer um lembrete constante de que algo não está como deveria. 

Bom, este aqui não é um espaço para desabafos e não é sem propósito essa partilha. Eu resolvi transformar minha dúvida, tão pessoal, em texto por uma razão simples: acredito que eu não seja o único a ter essa “sensação de desencontro”. Vejo por trás das expressões de insatisfação mais banais das pessoas, sobre situações circunstanciais, verdadeiras expressões de desgosto com a própria vida. “Eu não queria estar aqui” por vezes expressa mais que o desconforto de uma aula chata, do trabalho pesado ou do ônibus lotado, expressa a desorientação quanto à própria existência.

Por que a gente se sente assim, “desencontrado”? Simples: A vida é caminhada e ninguém sente, ao longo do caminho, a segurança da chegada.

É que você nunca vai estar satisfeito até ter realizado plenamente sua vida. Que bom! Se o estado atual das coisas não o incomodasse, talvez você não encontrasse motivação para melhorá-las. Se o caminho satisfizesse, talvez deixássemos de andar até o final. E é justamente porque o caminho não é a chegada que não é possível dar fim a essa “sensação de desencontro”. Mas é possível lidar bem com ela.

Quando se vai a um lugar onde nunca se esteve antes, não se viaja tão tranquilo. O caminho nunca causa a mesma sensação de certeza e segurança concretas da chegada, mesmo que seja o caminho certo. Ele causa uma certeza e uma segurança diferentes, que são ainda possibilidade: eu vou chegar lá! Quando dessas crises de pequenas angústias, desses questionamentos sobre estar ou não no lugar certo, eu penso numa coisa e só: eu sei onde quero chegar! A sensação de estar perdido não acaba, mas ela ganha sentido. É isso: eu, aqui e agora, não sinto seguro de já ter chegado ao lugar certo, o que me mantem caminhando convicto é a certeza do que está no final do caminho. Se não é possível dar fim a essa sensação de desencontro, a melhor maneira de responder a ela é ter um objetivo. 

Se parece que eu estou no lugar errado, é porque anseio por um lugar que seja o meu lugar, em definitivo. O caminho é o lugar certo pra se estar, mas só por enquanto. A chegada é o lugar certo para se estar e permanecer, no final.

Se você não sabe onde ir, conheça-se. Eu acredito que o seu destino, que, para evitar entender como inevitável, é melhor chamar de “vocação”, está inscrito em você e que se pode ler nas entrelinhas daquilo que você é, os seus gostos, suas qualidades, suas capacidades. Se o caso é de saber aonde se quer ir sem saber como chegar, é simples: peça informação. Se eu posso dar qualquer dica melhor que essa é: faça boas escolhas, é delas que se fazem os caminhos certos.

Com o pensamento às voltas numa ideia do escritor e filósofo C.S. Lewis, eu concluí: se todo desejo encontra uma satisfação correspondente, ou seja, se para fome há comida e para a sede bebida, por exemplo, logo pra toda dúvida, para a minha dúvida, há resposta. E para o meu anseio de me encontrar nesse mundo, há um lugar onde eu me encaixe. Mais que isso, é maior ainda o anseio inconsciente do mundo de que eu ocupe o lugar que nele há reservado para mim. O mundo tem necessidade de mim, uma necessidade muito específica, de que eu esteja no lugar certo, ao lado das pessoas certas, para fazer o que ninguém faria como eu. Eu sou uma peça única desse gigantesco quebra-cabeça.

É, há um lugar para mim. E eu já estou a caminho, certo de que vou encontrar.

“Ando por aí querendo te encontrar, em cada esquina paro em cada olhar. Deixo a tristeza e trago a ESPERANÇA em seu lugar”.


Gustavo Cardoso Lima
Estudante de Jornalismo / Oficina de Valores

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