Por: Paulo Vitor
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O poder do "não"

O século XXI está avançando, as tecnologias antes inimagináveis avançam com ele, o ser humano nunca teve tanto poder com tão pouco esforço.

Embora acostumado com o ritmo intenso e veloz em que a maioria de nós tem vivido, às vezes ainda me espanto com tantas mudanças e possibilidades que aparecem num curto espaço de tempo.

A ideia deste texto não é tratar dos avanços tecnológicos e afins, mas, de certa forma, refletir sobre o efeito que algumas facilidades e portas que eles estão abrindo têm surtido sobre nós e, por vezes, afetando de forma negativa.

Não é raro encontrar crianças de apenas cinco anos que já tenham celular (com internet, é claro) e contas em várias redes sociais. Diante disso alguém poderia dizer: “e qual o problema de as crianças terem acesso a isso?”. E eu posso responder com outra pergunta: qual o problema de elas não terem esse acesso? Devolver o questionamento me parece uma boa forma de alcançar o objetivo do texto. Já vi muitos pais sucumbirem às vontades dos filhos, assim com namorados e casais casados também.

Num mundo onde muitas coisas são rápidas e fáceis, fazer o caminho inverso, dar freio aos apressadinhos, ponderar a real necessidade de certas facilidades, dizer “NÃO” se tornou bem mais complicado.

Ora, para que se indispor com esse ou aquele grupo se é possível se livrar de maiores aborrecimentos dizendo um simples “SIM”? Os pais, muito amorosos, dão os mimos de alta tecnologia para os filhos pequenos, afinal, todos os coleguinhas têm, e muitos dizem que certos “NÃOS” podem traumatizar.

Provavelmente você que acompanha a leitura poderia citar outros casos em que o “NÃO” é NEGADO porque custa, incomoda e exige firmeza. Diante de um cenário que eu gostaria de chamar de “frouxo”, temos visto cada vez menos pessoas ousando dizer “NÃO”.

“É justo que me custe aquilo que muito vale”. Sim, passar pelo revés de uma proibição imposta pelo responsável é um grande caminho de educação e amadurecimento.

Olhar ao redor e perceber que os limites estão sendo ultrapassados a todo tempo deve no mínimo despertar nossa atenção. Por que temos tanto e entendemos tão pouco? Por que as pessoas estão cada vez mais sozinhas se existem tantos meios de encurtar distâncias? Por que, por que, por quê?

Creio que a resposta parta da simples atitude de firmeza, não negociar o inegociável, pois o “NÃO” bem-dito abre muitas portas e faz crescer os que de fato querem o caminho da verdade.

Paulo Vitor Simas
Professor de Ensino Religioso / Oficina de Valores

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