Por: Mariana

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Mas eu me mordo de ciúme...

Somos donos do amor? Quem somos nós para cobrar demonstrações de amor de alguém? Se você não me ama da maneira que eu quero, quer dizer que você não me ama de verdade?

“A medida do amor é amar sem medida”, já dizia santo Agostinho. Cada vez mais vemos a imagem do amor de forma deturpada, como uma via de mão dupla onde só dou amor se receber na mesma intensidade. Relações cheias de cobranças e inseguranças, em que nos sentimos donos de alguém. Esses tipos de relações, sem dúvida, não são positivas.

Ciúme, que palavrinha mais “bandida”. O adjetivo não foi uma palavra qualquer e aleatória, pois de fato, o ciúme te faz querer “roubar” algo ou alguém só para você.

Gostar de alguém e prezar esse sentimento é algo lindo, mas para algumas pessoas é difícil diferenciar o “cuidado” da “obsessão”.

O ciúme é uma mistura de sentimentos despertados a partir da ameaça (real ou imaginária) de perder algo ou alguém. Esse sentimento pode existir entre casais, amigos, irmãos ou ainda adquirir significados mais amplos, não necessariamente associados ao sentimento partilhado entre pessoas, mas, pode existir, por exemplo, por coisas materiais como livros e carros. Nesse texto penso mais especificamente o ciúme entre pessoas.

O ciúme sempre existiu, algumas obras literárias como Otelo, de William Shakespeare, e Dom Casmurro, de Machado de Assis,  retratam bem a história de pessoas que sofreram por ciúmes, a ponto de ser algo doentio.

Embora pareça óbvio é preciso salientar que o ciumento não apenas sente o ciúme, ele age em função desse sentimento de uma maneira impulsiva e então há um problema.

Esse sentimento geralmente está relacionado a fatores como insegurança, não totalmente com outra pessoa, mas consigo mesmo, com o fato de não se sentir bom o suficiente pras pessoas. Está ligado ainda à  falta de exclusividade da atenção de alguém, que é transformada em medo de “perder a pessoa”; ou ainda, pode estar ligado à inveja, no momento em que produz desgosto ou um tormento a um indivíduo por ele não possuir algo que outro possui.

Para algumas pessoas,  a relação tem que ter um pouco de ciúme, pois é um sinal de que há amor. Embora pareça verdadeiro, isso é falso. O ciúme não é algo positivo, o que acontece é que ele pode (e é constantemente)  confundido com o zelo. Zelar por uma pessoa, cuidar, ter carinho por ela e querer conviver com essa pessoa é uma coisa, querer que essa pessoa seja  sua posse, agir como se você fosse o dono dela é algo completamente diferente.

Para um relacionamento “funcionar” deve haver confiança, de ambas as partes. Esse medo de perder faz com que nos tornemos dependentes de outra pessoa. Passamos a querer controlar a pessoa, a não querer  perde-la  de vista e monitorá-la constantemente. Acabamos prendendo o outro em uma gaiola, como um pássaro em cativeiro. E, convenhamos que nenhum pássaro gosta de viver preso, não faz bem.

Não é necessário sentir ciúmes para provar nem para sentir que ama ou que é amado por alguém.  isto em um relacionamento sempre acabará em privação, insatisfação e brigas.

Mesmo que o ciúme exista, a questão é como nos comportamos diante desse sentimento, afinal de contas quem ama, confia.
                                                                                                                                            
Mariana Freitas
Professora de Inglês / Oficina de Valores

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