Por: João Gabriel



Tem hora e lugar para amar?

Fazer o bem sem ver a quem” – Dito popular.
A falta de amor é a maior de todas as pobrezas” – Madre Teresa de Calcutá

É com essas frases que gostaria de começar o texto de hoje. Amar, doar-se, fazer o bem, atos de caridade são coisas que deveriam ser naturais e feitas diariamente. Por que falta tanto dessas atitudes no nosso mundo? 

Bom, vamos lá. Nas últimas semanas alguns fatos têm me deixado um pouco triste. Como o ser humano reclama tanto e faz tão pouco para mudar? Por que a culpa sempre é dos outros? Por que a iniciativa nunca pode ser nossa? Por vezes somos nós mesmo os “justos”, segundo a definição de hoje em dia, que é fazer o bem a nós mesmos. Por que mudamos tão radicalmente quando vamos à uma igreja, visitamos um orfanato ou um asilo? Por que agimos como se apenas nesses lugares necessitassem de amor e carinho? Meio irônico pensar que em um mundo como o que temos hoje ainda escolhemos hora e lugar pra fazer o bem. 

Chegar a beirar o ridículo como numa época de Natal, por exemplo, todos nas ruas cumprimentam desconhecidos, sorriem, distribuem simpatia e basta passar duas semanas para tudo mudar. Querer arrumar um briga no trânsito, tentar furar uma fila porque VOCÊ, e parece que só você, está atrasado. Ainda reclama que a culpa vai ser sempre do caixa “lerdo”. Ou quando recebemos um troco errado, mais do que deveríamos, e somos incapazes de devolver, com o pensamento fútil: “ah, pra um mercado grande como esse, cinco reais nem faz falta”. Numa fila de comunhão todos são capazes de ceder a vez pra uma senhora, mas quando a situação se repete em outro ambiente, como em um ônibus lotado, voltando do trabalho, que demanda mais esforço e sacrifício (ou de outro modo, demanda mais amor e carinho), voltamos à mediocridade e recusamo-nos praticar tal ato, de forma repugnante: fingimos que não vimos, fingimos até mesmo dormir ou deixamos mais uma vez para outras pessoas tomarem atitude.

“É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado” disse Madre Teresa. Ouso dizer que é muito fácil fazer uma visita a um asilo, a um doente, a um presidiário, pois você “se prepara” para amar, se prepara para um pequeno tempo de doação, quando na verdade isso não é caridade de verdade se não é habitual, se não brota de um real interesse pela felicidade dos outros. Pode ser somente um alívio de consciência friamente planejado e executado, o que não é amor. É mediocridade ter que reservar um dia, uma hora ou um minuto apenas pra amar e se doar. Mas quando somos pegos de surpresa num ônibus, no trânsito, na faculdade, em qualquer outro lugar não fazemos igual. Verdadeira caridade é quando, mesmo pegos desprevenidos pelas situações, no nosso interior o que fala mais alto é a integridade e o bem, e esse é o verdadeiro ato de amar quem está a nossa volta. Não devemos ser como um robô que se programa para os afazeres. Mesmo vivendo numa época em que nos programamos involuntariamente, ao entrar numa igreja, ao entrar em uma data festiva, a nossa ética, nossa honestidade, nossa alma de “criança” não pode ficar escondida durante os outros 300 dias do ano, simplesmente porque decidimos hora e lugar para amar, e sempre reclamando da falta de amor para um mundo melhor. 

E aí? Já fez alguma coisa hoje? Já fez algo por alguém essa semana, sem ser programado? Por um mundo com menos “amanha eu faço” e mais “hoje eu fiz”, pra quando formos pegos de surpresa o nosso interior falar mais alto, e que esse interior seja de caridade, amor e honestidade e, principalmente, que tudo isso seja verdadeiro.

João Gabriel Fernandes
Estudante de Biologia

1 comentários:

karine disse...

Caridade esta, que também vai além dos muros das igrejas. A caridade é um modo de pensar e agir, um modo de viver. Texto muito bom! Esse eu compartilho!

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