Por: Fernanda



A Oficina está fazendo aniversário de dez anos. Na minha vida, ela completa oito. Comecei a fazer parte no grupo de formação, o segundo, e que sem dúvida foi resposta de muita coisa na minha vida. Foi graças a isso que eu pude ter contato e levar pessoas que me são muito caras até a Oficina.

Eu podia seguir esse texto falando dos inúmeros retiros, formações e iniciativas das quais eu fiz parte nesse grupo, mas isso seria limitá-lo demais. Então, como eu tanto ouvi esse ano, vou tentar em poucas linhas contar o que é ser Oficina para mim.

Ser Oficina significa, antes de tudo, ter coragem de se fazer perguntas e, mais ainda, de buscar respostas.

Significa aprender a ler, a escrever, a falar, a debater e a rir. E significa admitir que nem tudo eu consigo ou devo fazer.

Significa ir a escolas, a conferências, a retiros, a talk shows, a missões, a eventos culturais, participar de podcasts e das noites das meninas.

Significa ter um compromisso intenso com meu estudo, meu trabalho e meu hobby. Porque, quando eu menos esperar, a Oficina vai precisar disso para alguma coisa boa.

Significa ter a responsabilidade de me formar e de formar outros, e o alívio de olhar para o lado e ver que eu estou cercada de gente muito melhor do que eu.

Significa, por vezes experimentar a frustração com alguma iniciativa que não dá certo e agradecer a Deus por nos mostrar onde Ele nos quer de verdade.

Significa passar por muita gente e aceitar que, por muitos, essa será a única vez.

Significa sentir uma urgência enorme de trabalho, de oração e de sacrifício por aqueles que encontramos, pelos nossos e por mim mesma.

Significa não desanimar quando o resultado demora muito ou sequer aparece.
E significa fazer parte de uma família.

Pertencer a essa família é um privilégio imensurável. Ainda que relações humanas sejam complicadas, é incrível demais saber que isso tudo que eu sou por ser Oficina não é algo só meu. Existem outras pessoas - ainda que cada uma à sua maneira - que também o são. Com todas as facilidades e dificuldades partilhadas vivemos uma experiência de unidade, pois, como disse um de nossos fundadores, o que cada um aqui realiza, todos realizamos por ele.

Às vezes esbarro com um outro "oficina" na rua, em um corredor, ou do outro lado de ‘uma sala de aula, e agora percebo que isso me traz paz. Pois eu sei que aquela pessoa tem uma coisa muita especial em comum comigo. E de certa forma, ela é minha irmã. E isso é verdade ainda que por vezes eu fique chateada ou desaponte alguém.

Lidar com sentimentos pode ser extremamente difícil, e ser comunidade também é amar quando o amor parece a saída mais difícil.

Ninguém disse que seria fácil tornar-se família de alguém que não tem o meu sangue. O que nós sabemos, por certo, é que Quem nos deu essa missão fez essa condição ser necessária.  E mais do que isso... inevitável.


Fernanda Gonzalez
Mestranda em Engenharia Urbana / Oficina de Valores

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