Por: Guilherme


Quando paramos para pensar e percebemos que,  a cada dia que passa,  a nossa impressão é que os dias estão terminando mais rapidamente, temos a sensação de que não conseguimos fazer mais nada em “apenas” 24 horas. Subitamente nos deparamos com a chegada de datas que nos fazem pensar como o tempo passou rápido: mais um Natal; e logo as celebrações de fim de ano. Na realidade, o que ocorre é que realmente estamos mais apressados com nossos afazeres e obrigações.

Temos cada vez mais responsabilidades, o que nos leva a ter essa sensação. Notamos com frequência, principalmente quando prestamos atenção às nossas relações, que não temos mais tempo nem para dar um “oi” ao amigo encontrado na rua, ou de ligar para alguém no meio do dia para saber como aquela pessoa está. As tecnologias do nosso século começam e terminam sem mesmo notarmos. Quantas coisas já passaram por nós sem a devida atenção, sem que  realmente fossem desfrutadas?

Sofremos hoje, de todos os lados, uma enxurrada de funções e obrigações. Estamos em uma era onde devemos abraçar o mundo e resolver todas as incógnitas possíveis, com isso perdemos um pouco da sensibilidade para conosco. Há quanto tempo não paramos para apreciar um pôr do sol? Ou simplesmente encontrar os amigos e “perder” o dia com conversas sem nexo. A impressão que isso tudo nos causa é que as pessoas não estão mais preocupadas com o simples da vida por não terem tempo de ficar preocupadas com coisas “tão pequenas”.

Com tantos compromissos, parece que somos obrigados a priorizar  certas obrigações e, cruelmente, induzidos a estar voltados para a vida de forma mecânica, ou seja, resolvendo problemas sem fim no ambiente de trabalho, passando horas e horas estudando para que algum dia tenhamos tempo para dar tempo para aquilo que julgamos realmente importante. E quando sobra um tempinho, acabamos por perdê-lo sendo pessoas amargas com tudo e todos.

Esse ano, eu e alguns amigos resolvemos subir um monte em plena quinta feira e passamos a noite lá. Para alguns parecia loucura e, para mim, também era,  ainda mais porque às sete da manhã seguinte teria que entrar no trabalho. Mas só o fato de sair da rotina e estar com pessoas maravilhosas fez com que eu quisesse aquilo para sempre. E como foi bom estar ali, jogar conversa fora, dormir tarde, visualizar lá do alto o quão lindo é um nascer do dia (que há muito tempo eu não via). Parece bobo, mas o resto do dia que se seguiu também foi muito bom,  porque aquele simples momento foi o suficiente para  recarregar as baterias e  lembrar que eu não sou apenas uma pessoa que resolve problemas.

Não estou aqui defendendo que não temos que dar atenção para nossas responsabilidades, mas sim que devemos organizar a vida e colocar a rotina ao nosso favor. Mas como fazer isso? Simples, já que tudo ao nosso redor está mais corrido, por que não aproveitar aquilo que realmente importa? Assim extrairemos o máximo do que faz bem, deixando o incômodo do dia a dia em segundo plano. Talvez as questões centrais desse texto sejam: Em nosso cotidiano, a  sensação é que perdemos ou ganhamos o dia? Quem nunca teve a sensação que seu dia não rendeu, ou que aquela lista imensa de obrigações a serem feitas não foi executada? Estamos amando até mesmo o próximo pôr do sol ou a nossa afobação, além de nos tirar o nosso precioso tempo,  tirou a nossa sensibilidade também?

Portanto, independente de como estão as nossas prioridades, temos que buscar sempre endireitar o nosso tempo para a nossa formação, para as nossas risadas, para as pessoas importantes da nossa vida, para sermos felizes por nada, rirmos sem ter motivo, importarmo-nos em abrir um sorriso num dia conturbado... Fazer isso é sinal de que as verdadeiras prioridades estão recebendo a devida atenção. E o restante? Ah! O restante simplesmente vai  encaixar quando der tempo.

Guilherme Levandeira
Estudante de Engenharia de Produção/Oficina de Valores

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