Por: Larissa
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A fórmula da paciência

‘’Um explorador branco, ansioso para chegar logo ao seu destino no coração da África, pagava um salário extra para que os seus carregadores índios andassem mais rápido. Durante vários dias, os carregadores apressaram o passo. 

Certa tarde, porém, todos se sentaram no chão e depositaram seus fardos, recusando-se a continuar. Por mais dinheiro que lhes fosse oferecido, os índios não se moviam. Quando finalmente, o explorador pediu uma razão para aquele comportamento, obteve a seguinte resposta:

- Andamos muito depressa, e já não sabemos mais o que estamos fazendo. Agora precisamos esperar até que nossas almas nos alcancem’’. (Maktub)



Essa pequena história esconde uma grande virtude: a paciência. Quem de nós nunca ouviu frases do tipo: “o que vale a pena possuir, vale a pena esperar’’ ou “a pressa é inimiga da perfeição’’? 

Acredito que escutamos tais coisas devido a um fato: esbarramos com a palavra paciência, antes mesmo de nascermos. Afinal, foram nove meses de espera. Para sermos o que somos, alguém teve que esperar por nós. Então, nada mais justo nós aprendermos a esperar por algo que nos é relevante. E isso se torna cada dia mais difícil devido a tanta correria e imediatismo de nossa sociedade. Muito escutamos sobre “viver apenas o agora sem pensar no amanhã”, uma frase um tanto curiosa já que realmente só possuímos o agora. Mas e o amanhã? Ah... o amanhã a Deus pertence, certo? Não só. O amanhã, assim como o ontem e o hoje pertencem também a cada um de nós e somos eternamente responsáveis pelo que fazemos com isso. Digo tudo isso para chegarmos ao ponto central do texto que é a tal da paciência. 

As vezes só de lermos essa pequena palavrinha já nos sentimos impacientes. Quem gosta de esperar, não é verdade? É fila de banco, de ônibus, de hospital... É o almoço de domingo que demora quando temos um compromisso, é nota de faculdade, é supermercado... Paro por aqui para não causar uma onda de impaciência em vocês. 

Isso tudo e muito mais realmente nos tira do sério muita das vezes. Normal, somos feito de nervos. O problema é não sabermos filtrar nossas impaciências e por isso poder causar um dano enorme em nossa saúde física e psíquica. Ah para, né? Até parece que essas pequenas coisas da rotina podem causar problemas sérios! Será? Bom, considerando o número de doenças físicas e psíquicas que só tem aumentado, o número de pessoas tendo infartos, acho que o assunto é um pouco sério. Qual assunto? A paciência ou a falta dela? Os dois. 

No dicionário encontramos a seguinte definição para a palavra paciência: “capacidade para suportar dificuldades, calma para aguentar algo que demora”. Ao conhecer a definição, a pergunta que fica é: quem de nós faz algo realmente sólido para transformar meras definições em ações? Por vezes fico desejando que existisse uma fórmula para conseguirmos essa virtude. Afinal existem tantas por aí. Os químicos poderiam nos ajudar nessa. Imaginem como seria bom poder vender, emprestar e tomar doses de paciência. Daria muito menos trabalho e nos renderia mais tempo para termos outras prioridades já que quase tudo nessa vida nos obriga a esperar por nossa vez. Pelo menos só esperaríamos com nosso vidrinho cheio de gotas praticamente mágicas. Bom, a realidade é diferente e temos que lutar para sermos virtuosos.

Agora vejamos a definição de impaciência: “pressa para atingir algum objetivo; desassossego que impede repouso; estado de irritação; aborrecimento”. Alguém se identifica melhor com a segunda definição? Se sim, não se preocupe que podemos recorrer à justiça. Se os químicos ajudassem na fórmula da paciência, poderíamos pedir uma para a cura da impaciência. Opa... não seria o mesmo “remédio” para as duas coisas? Quem já é paciente seria mais ainda e quem ainda não é poderia se tornar. Resolvido então: uma única fórmula contendo dois efeitos. A evolução e a cura. Evolução dessa virtude e a cura para o seu oposto. Pena que nada nessa vida se resolve dessa forma.

Não se tem uma receita ou uma solução em gotas. Podemos ter a definição na teoria, mas não conseguimos a prática com tanta facilidade. Saber é uma coisa, viver é outra. Hoje no caso eu estou paciente, mas será que sou paciente? Há uma diferença. Assim como muitos falam que a felicidade é um estado de espírito eu diria que essa virtude também é. E mesmo ela sendo uma das mais difíceis de serem desenvolvidas, mesmo ela não tendo nenhuma garantia ou certeza que dará certo na prática, mesmo a impaciência sendo uma pedra em nosso caminho, existe uma maneira para ao menos tentarmos moldar essa construção diária.

Somos nosso próprio laboratório onde os químicos somos nós. Se até agora todas as suas tentativas fracassaram, não se preocupe. A solução será sempre recomeçar. E em caso de dúvida e ou fracasso nas tentativas, procure um bom amigo. E se o amigo não puder ajudar, paciência!

Larissa Eira
Estudante
Oficina de Valores

1 comentários:

Ramos disse...

A paciência é amarga, mas seus frutos são doces (Rousseau)

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