Por: Yuri
Imagem: divulgação

O decepcionante amanhã

Ontem foi 21 de outubro de 2015... para muitos, uma data um tanto esperada. Acredito que você, caro leitor, por mais que não tivesse a menor consciência do que essa data representa, se deparou com algumas imagens, textos, vídeos da memorável obra do cinema De volta para o futuro. Sim, essa é a data em que Marty McFly, protagonista da história, escolheu para visitar o futuro em seu DeLorean capaz de viajar no tempo. Sou nascido em 1994 e, embora seja de 1985, o filme marcou minha infância (confesso que até hoje se tenho a oportunidade de assisti-lo, faço com gosto).

Pelo título do filme, é fácil deduzir que a história trata de viagens no tempo, e durante o desenrolar da história acontecem diversas delas, tanto para o futuro quanto para o passado. Não é meu objetivo fazer uma resenha do filme, ou uma sinopse, ou qualquer coisa do tipo. Mas gostaria de chamar atenção pra um detalhe, na verdade alguns detalhes que, bem refletidos, podem ser edificantes para nós. 

Bom, quando Marty viaja para o dia 21 de outubro de 2015, ele se depara com uma realidade que jamais imaginaria possível. Ele se admira com as tecnologias incrivelmente avançadas que foram desenvolvidas nesses 30 anos. Para mim, foi inevitável, ao assistir o filme, imaginar que em alguns anos eu poderia andar num skate voador, usar um tênis que se adaptasse automaticamente ao meu pé, talvez dirigir um carro voador, ou quem sabe até fazer uma comida desidratada crescer em questão de segundos! Talvez uma das maiores provocações do filme seja exatamente essa: criar expectativa acerca do futuro. Sim! Fazer com que o espectador tenha esse anseio enorme pelo novo, esse abrir de olhos para possibilidades. Contudo, como eu já disse anteriormente, o futuro chegou e pra minha decepção (e de tantos outros), hoje ainda não temos a skates voadores. Afinal, vale a pena criar expectativa em um futuro sabendo que essa expectativa tem um poder tão grande de decepcionar?

Quando tratamos do incerto, qualquer tipo de expectativa nos faz correr o risco de nos frustrarmos, mas é de suma importância que não percamos o bom hábito de esperar o melhor das coisas por medo da decepção, afinal, isso está diretamente ligado à virtude da esperança. Pense o seguinte: Um homem que espera ser efetivado em seu emprego busca dar o melhor para que seja reconhecido pelo seu trabalho. Um estudante que espera passar no vestibular se dedica ao máximo nos estudos para que consiga uma vaga na tão desejada universidade. Pois é. Muitas vezes nossas esperanças são as responsáveis pela nossa doação naquilo que queremos, e a partir do momento que o medo de que as coisas não aconteçam da forma que queremos é maior do que essas esperanças, isso nos impede de dar o nosso melhor.

Talvez hoje, nesse 21 de outubro de 2015, não tenhamos carros voadores, hoverboards, robôs que levem nossos cachorros para passear... talvez hoje nos encontremos em um país que passa por um período de crise, corrupção, crimes, racismo. Mas diante disso tudo, diante de toda essa decepção, o que importa é que não olhemos pro hoje como um ponto de chegada, mas como um novo ponto de partida. Olhar pro agora como alguém que pode fazer um amanhã diferente; criar expectativas e lutar por elas! Talvez o amanhã não seja aquele que esperamos, mas existe o depois de amanhã... e como dizia o grande Dr. Emmet Brown: “Seu futuro é você quem faz. Então, faça um bom futuro.”

Yuri Weilemann
Estudante de Engenharia - UCP
Oficina de Valores

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