Por: Mariana





Ouse não comparar

Ah, as comparações... O ser humano, com suas carências existenciais, em vez de mirar em si mesmo, de planejar seu futuro, tem o vício de muitas vezes se comparar, e pior, comparar as pessoas umas com as outras. Você compara quando coloca uma pessoa do lado da outra com o propósito de enfatizar diferenças entre elas ou mostrar semelhanças. Isso acontece com lugares e coisas também.

O grande problema é quando essas comparações começam a fazer mal. Aqui eu me refiro a basicamente dois casos de comparações: a comparação de mim mesmo com outra pessoa e a comparação dos outros com os outros.

No primeiro caso, podemos ainda encontrar dois tipos de comparação: “Eu sou muito superior a alguém”, (levando a um egocentrismo e orgulho exagerado) ou, ainda, podemos lidar com um “complexo de inferioridade” (acreditando que o outro será sempre melhor que eu, colocando-o em um “pedestal” e menosprezando a mim mesmo).

O segundo caso (que julgo o pior) é comparar as pessoas umas com as outras. O que dá esse direito a alguém? Quantas vezes eu já não escutei um “nossa, por que você não é como Fulano?” “Fulano faz isso e isso, e você?” Imagino que esse Fulano seja uma pessoa beirando a perfeição, de tanto que o exaltam...

Cada um de nós é o que é, tem a sua própria essência, sua história. Comparar é negar o outro!

Muitas vezes essas comparações acabam limitando as pessoas, uma vez que uma barreira invisível é criada toda vez que você escuta dizer que há alguém melhor que você, alguém que você se sente quase que obrigado a querer ser. E como isso é irritante!

Como se não bastasse as pessoas compararem umas com as outras, você acaba muitas vezes pegando essa “doença” e começa a se comparar com quem te cerca e começa a acreditar que, de fato, tem algo errado com você.

Quando uma pessoa começa a se comparar com outra, ela começa a perder sua identidade, pois passa a tentar imitar o outro, criar um padrão, como se só aquele jeito de ser pudesse ser o certo.

Comparar-se com os outros não é saudável. É claro que não me refiro a ter exemplos e se inspirar em alguém, não é isso. Inspiração é como um combustível de um carro: se for bom, todos deveriam usar em seus carros, pois seria algo eficiente, faria bem. Já a imitação é como se todas as pessoas tivessem o mesmo modelo de carro, imaginem que chato, e aí a diferença.

Cada um de nós é único. Seria muita pretensão de nossa parte pensar que somos o outro. Essas comparações afetam os relacionamentos porque, principalmente em nossa família ou entre amigos, sentimo-nos no direito de dar palpites na vida alheia. Obviamente, se vemos alguém próximo sofrendo, é nosso dever alertar, mas viver a vida do outro causa um grande sofrimento, em primeiro lugar porque nos desvia de nossa caminhada, nossa vida; e em segundo lugar porque sufoca a outra pessoa sem que ela consiga decidir por si mesma, fazendo com que fique dependente dos demais.

Talvez tenha parecido que eu seja uma pessoa que não aceita conselhos ou que é a favor do “tem que errar para aprender”. Não é isso, pelo contrário! Eu acredito sim que bons amigos devem alertar sobre possíveis “furadas” e ser um “norte” em situações difíceis. O que não me parece certo são as comparações. É aquele “o filho da Maria vai fazer medicina e você aí fazendo teatro”, “Juninho já vai casar, e você? Vai ficar solteiro pra sempre?”

Algumas pessoas têm essa mania de dar “pitaco” na vida alheia, e muitas vezes não é nem por preocupação, é mais por se intrometer, achar que é o dono da verdade. Se cada um cuidasse da sua própria vida como cuida da dos outros, o mundo teria bem menos gente frustrada, pois estas só são assim porque a vida alheia, muitas vezes, lhe é mais interessante que a sua.

Muitas vezes, eu posso não saber ainda o que quero. E mais uma vez, espero não ser mal interpretada com a ideia de que “ser um à toa na vida”, esperar que tudo se resolva e caia do céu seja uma solução, não é isso. Mas também não é o outro que vai viver sua vida, é você!

Atualmente, é assim que as coisas funcionam, com cobrança e sob pressão, acredito que cada um saiba das suas responsabilidades e tarefas. 

Em uma roda de amigos, é engraçado observar o tipo de assunto dos bate-papos. Falar de pessoas alheias parece que é de lei. Mas os comentários são para falar sobre qualidades ou destacar defeitos?

Em muitos casos, cuidar da vida dos outros pode ser tentativa de esquecer os próprios fracassos e desilusões ou pelo fato de que na própria vida não há nada de interessante para ser discutido. Criticar os outros é fácil, difícil é melhorar a si mesmo.

São as diferenças que nos tornam pessoas incríveis. O empenho de tentar ser igual a alguém a fim de sermos valorizados é um insulto ao nosso verdadeiro ser. Deus teve o cuidado de fazer cada um diferente do outro e também não fez ninguém perfeito. Imagina que tédio se fossemos todos iguais.

Podemos sim nos inspirar nas pessoas e em seus atos e tentar desenvolver algo positivo em nós a partir disso, mas devemos fazer isso do nosso próprio jeito.

Um sábio, certa vez, declarou: “Por que perder tempo em ver meus defeitos, se as pessoas podem dedicar esse tempo a buscar suas virtudes?”

Termino com a frase que tem me guiado muito ultimamente: “Cobra mais de ti e espera menos dos outros. Assim, evitarás muitos aborrecimentos.”
                                                                                                                                                                   
Mariana Freitas
Professora de Inglês

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