Por: Diego



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Não foram poucos os filósofos, políticos, poetas, grupos de pagode, entre outras classes de pensadores, que buscaram explicar esse que é um dos temas mais importantes para a humanidade. Muitos mais foram aqueles que se envolveram em disputas, fossem legítimas ou não, onde brandiam a bandeira da liberdade: a luta contra a escravidão, guerras de independência territorial, a liberdade de culto religioso... Algumas até a trouxeram em seus lemas, como o “Liberdade, igualdade, fraternidade” da Revolução Francesa ou o “Liberdade ainda que tardia” da Inconfidência Mineira.

Mas nem por isso a discussão sobre o que fazer com essa tal liberdade teve um consenso, tanto que ainda hoje é um tema que está em alta. Fala-se muito do direito de poder falar o que quiser (inclusive se for alguma ofensa) sob o pretexto de “liberdade de expressão”. Ou, mais em alta ultimamente, a questão do “meu corpo, minhas regras”.

Existe em torno desse conceito uma grande confusão. A definição mais simples, talvez por isso a mais popular, é: liberdade é poder fazer o que eu quiser. Não é preciso quebrar muito a cabeça pra encontrar furos nessa definição, mas na vida prática nem sempre eles são fáceis de identificar. Destaco dois motivos que tornam esse pensamento falso. Ou melhor, incompleto.

O primeiro é que não podemos fazer o que quisermos porque temos nossas limitações naturais, como a morte, por exemplo. As pessoas até se revoltam contra ela, mas com o tempo acabam por aceitá-la (pelo menos nunca vi uma marcha pelo aumento da expectativa de vida). Também nunca vi um homem em sã consciência revoltado por não poder voar. São limitações naturais, fazem parte do que somos.

O segundo motivo é o fato de que sempre que nós fazemos uma escolha, renunciamos a todas as outras possibilidades. Se escolho ir ao cinema num sábado a noite, ao mesmo tempo faço a opção de não ir ao teatro, nem ao estádio de futebol e muito menos a estar em casa. Se escolho casar com uma mulher, ao mesmo tempo faço a opção de não casar com todas as outras.

A ideia de poder fazer o que quiser é, portanto, incompleta porque a liberdade implica em restrições.  Se quero coisas incompatíveis, preciso abdicar de uma (ou muitas!) delas. Ser livre não é ficar a deriva, mas escolher no que se prender.

Pensar nisso é importante porque, como diz São Tomás de Aquino, sempre buscamos um bem. O amor, as amizades, o dinheiro, o prazer, o descanso.... Até aquele que comete suicídio, no fundo, busca um bem (embora o faça de maneira errada), como o alívio, por exemplo. Mas, como fica claro nesse último caso, escolher algo que contenha um bem não é suficiente para ser feliz. A felicidade virá a partir da escolha daquilo que é o melhor.

Muitas vezes a justificativa do “sou livre para fazer o que quiser” vira uma desculpa para se escolher o mais fácil ou aquilo que dá uma alegria mais imediata (e quase sempre fugaz). Tenho liberdade para escolher ir ao cinema em vez de estudar para uma prova, não há dúvida. Mas será que vale a pena reprovar uma matéria, e perder mais seis meses estudando a mesma coisa, por duas horas de diversão vendo um filme? É nessa que muitos trocam um grande amor (senão o próprio Amor) por uma ilusão.

O autor inglês Chesterton faz uma comparação interessante: numa escola que se encontrasse próxima a um precipício, a única coisa que permitiria que as crianças brincassem de forma frenética e sem medo seria um muro. Sem ele, elas agiriam de forma mais receosa, limitada, ou então inconsequente. As leis, a ética, a moral, não são contrárias à liberdade. Quando vividas de forma justa e sincera, são elas que nos indicam o caminho para que a vida em sociedade seja possível ou para que uma felicidade mais verdadeira possa ser alcançada. 

Por fim, vale pensar que a forma de avaliar uma escolha é pelas consequências que ela terá em nossa vida. E como saber qual trará as melhores consequências se não soubermos o que buscamos? Para viver bem a liberdade é preciso ter claro o próprio ideal. Pode até ser que andemos errado ou pisemos na bola, afinal a liberdade nos possibilita isso. Mas a gente aprende, e uma lição bem aprendida pode nos livrar de muitos erros futuros. Mas quem não sabe o que buscar nunca será verdadeiramente livre, pois jamais poderá chegar a algum lugar.


Diego Gonzalez
Estudante de Engenharia de Controle e Automação - UFRJ
Oficina de Valores

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