Por: Mariana




Fim do ano chega e, junto com ele, as famosas retrospectivas. Sejam nos especiais de televisão, discursos de formatura, confraternização no trabalho, festas de família, enfim, o mês de dezembro trás consigo aquele momento em que quase todos param para refletir nas conquistas, nas perdas e em tudo que de alguma forma gerou algum impacto durante o ano. É quase que inevitável, todos temos essa necessidade de síntese no fim do ano, agradecer por tudo de bom que passamos durante 12 meses, reclamar dos planos que não deram certo, das pessoas que entraram e que saíram das nossas vidas e ainda planejar novas metas para o ano que se inicia.

“Que janeiro me surpreenda”, “Que o ano que vem seja melhor do que esse”... Não é errado desejar que o novo ano seja melhor do que o passado, mas, de fato, o que você faz para que isso aconteça? Vivemos colocando expectativas no futuro e esquecemos de fazer acontecer no presente. Além disso, por que eu tenho que esperar o início do ano pra querer mudar, ou até mesmo recomeçar? Eu entendo a sensação da “folha em branco”, “começar do zero”, mas por que eu não posso fazer isso em maio, em setembro, por exemplo? Dia 1 de janeiro não é um dia mágico onde todos os seus problemas se resolverão, quem dera que fosse assim. Temos que batalhar diariamente para fazer a vida melhor.

Não sou contra parar e fazer um balanço do ano que passou, pelo contrário, acho bem produtivo, pois podemos analisar os pontos de sucesso e fracasso que tivemos durante o ano e, embora nós não gostemos de ser confrontados com nossas fraquezas e medos, não existe outro caminho para amadurecer e nos tornarmos pessoas melhores. Numa retrospectiva, por olharmos com uma visão “de fora” para os fatos que aconteceram, podemos analisar os erros cometidos e nos preparar para que não aconteçam novamente, ou, caso venham a acontecer, saibamos a melhor forma de agir. O que não entendo é essa ideia implantada em nossas mentes de que só no início de um ano que a vida pode mudar, melhorar. “Ano que vem eu começo na academia”, “ano que vem eu mudo de emprego”, “ano que vem...”.

Lembro de um episódio de FRIENDS (minha série favorita, recomendo a todos) onde os personagens comemoravam o ano novo. Eles se propuseram a fazer alguns desafios pessoais, como não fofocar, ou não fazer piada de outras pessoas logo no início do ano. Em um primeiro momento, eles até conseguem, mas depois foi ficando muito difícil, até que eles desistiram de cumprir as metas, “perderam o gás”. E isso soa tão familiar. Fazemos várias metas e traçamos objetivos que ao longo do ano se perdem. Isso porque nós depositamos nossas expectativas, nossa fé apenas na “virada do ano”, por isso o meu incômodo com as tais retrospectivas. Elas se tornam clichês e deixam de realmente fazer sentido.
“Ano novo é tempo de mudança de vida, de abandonar o nosso egoísmo, a nossa vaidade e de cultivar o amor”... Sim, mas o tempo para isso é toda hora, não precisamos esperar um ano todo para mudar, são coisas que precisamos todo dia. 


Mariana Freitas
Professora de Inglês

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