Por: Diego
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Ano passado comemoramos os 10 anos da Oficina de Valores e umas das tarefas que acredito ter sido das mais difíceis nesse tempo foi responder à pergunta: o que vem a ser essa Oficina? Uma oficina todos sabemos mais ou menos o que é. Antes da Revolução Industrial, os bens necessários para a sociedade eram produzidos em oficinas, onde um mestre e seus aprendizes trabalhavam em todas as etapas do processo de transformar uma matéria prima em um objeto, fosse uma vestimenta, ferramenta ou mesmo uma obra de arte. Até nos dias de hoje, uma oficina é lugar de criar, produzir, consertar.

E que o mundo precisa de valores não é novidade para ninguém. Numa sociedade que tem pressa para alcançar o conforto e o prazer e que deseja conseguir cada vez mais fazendo menos, os valores morais e éticos se tornaram escassos. Isso porque não podem ser adquiridos de forma instantânea ou mecânica, como numa indústria, mas precisam ser forjados com paciência em cada indivíduo. Por isso é difícil encontrar esses valores em estruturas “modernas”, nesses “fast-foods existenciais” (em que se escolhe apenas uma parcela da verdade, normalmente a mais conveniente), como as várias ideologias e o relativismo. Essas oficinas de valores humanos se encontram principalmente em instituições “ultrapassadas”, como a família e a Igreja.

Foi na busca por esses valores que conheci a Oficina em 2008, participando do chamado Grupo de Formação (embora naquela época o nome “Oficina de Valores” fosse quase que exclusivo para designar as palestras nas escolas). O objetivo do grupo era oferecer um pouco de formação humana e de doutrina católica de uma forma bem interessante: quem faria as palestras (ou pregações) éramos nós! Havia também os formadores, dos quais recebíamos material de estudo e no final de cada pregação tínhamos uma avaliação técnica e de conteúdo. Além do conteúdo aprendido, os frutos foram muitos, desde aprender a falar em público (algo que se mostrou valioso também no meio acadêmico) até a acolher críticas sem ficar justificando meus próprios erros (afinal, quem não reconhece que erra não tem porque melhorar...).

Nos anos que se seguiram muitas outras oficinas tiveram um papel fundamental na minha formação: a educação dos meus pais, o exemplo de professores, muitas amizades, a participação em vários meios de formação da Igreja... Mas a Oficina de Valores, da qual hoje faço parte, certamente é uma das mais importantes. E talvez nela encontre a melhor tradução daquilo que norteia minha vida. Poderia destacar os três principais pontos:

1 – “Só vale a pena viver pelo que vale a pena morrer”. A frase tema das palestras de sentido da vida realizadas nas escolas pela Oficina traduz o maior anseio que trazemos dentro de nós: viver a vida por algo que valha a pena, que nos satisfaça por completo. Nada menor do que isso nos trará a felicidade. Mas é possível encontrar esse sentido? Aí vem o segundo ponto:

2 – “Se não houvesse o que saciar nossa sede de infinito, a vida não seria mais que uma piada sem graça”. E a resposta que encontrei também saiu de uma oficina, num lugarejo chamado Nazaré, a dois mil anos atrás. Também hoje, na Oficina de Valores, somo conduzidos por aquele que é o Bom Mestre. Afinal, quem poderia esculpir em nós valores humanos verdadeiros, senão aquele que é o Verdadeiro Homem?

3 – É preciso dialogar! Eis a melhor forma de ajudar os outros (e também de se ajudar) a despertar esse desejo de felicidade que trazemos dentro de nós. Não à toa as atividades da Oficina são sempre marcadas por boas conversas! É preciso estar aberto também àqueles que pensam de forma diferente, sempre temos a ganhar com isso. E um meio muito rico para esse diálogo é a própria cultura, onde sempre encontramos expressões daquilo que somos e que queremos ser.


Por isso parabéns Oficina, por esses 10 anos! Obrigado pelos bons momentos, pelos amigos, pelas lições e todo crescimento que pude ter através dessa obra. Continue nesse trabalho de ajudar a despertar os corações e a formar neles valores verdadeiros. E nunca esqueça que, a melhor forma de se fazer um bom trabalho, é deixar-se guiar pelo Mestre. Que vivamos essa comemoração do que passou, mas que venham os próximos anos. Afinal, o melhor ainda está por vir!



Diego Gonzalez
Estudante de Engenharia de Controle e Automação
Oficina de Valores

1 comentários:

Davison De Paula disse...

Boas reflexões Diego! A oficina é mesmo uma grande obra da qual sinto muitas saudades e recordo com alegria as boas e longas conversas. Nunca soube muito bem o que ela era e nem o que seria, mas com certeza os seus frutos testemunham que é uma obra divina! Abraço! Avante oficina!

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