Por: Gustavo
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Em Búzios, há uma famosa estátua de Brigitte Bardot. A reconhecidíssima atriz francesa teve sua breve passagem pela cidade eternizada com um monumento erigido à beira da praia. 
Eu, que confesso ter usado as palavras “famosa” e “reconhecidíssima” com certa ironia, porque tinha ouvido pouco da atriz e nada da estátua até então, estive em Búzios e fiquei meio constrangido diante da cena: pessoas faziam fila para tirar fotos “com a atriz” (entre elas, minhas mãe e irmã. Digo para registro). Aquilo me causou um sentimento que até pouco tempo não saberia descrever, mas recentemente algum gênio nomeou ”vergonha alheia”.

Eu não quero dizer que não se possa tirar fotos com um monumento sem parecer bobo; eu é que sou um pouco chato com isso. Mas o que eu me perguntava era o porquê de as pessoas darem tanta atenção a uma estátua de alguém que, aposto, a maioria nem conhecia. Perguntava-me, principalmente, o que Brigitte – confesso que com irracional inveja –, o que ela fez para merecer isso?

Eu comecei a pensar sobre reconhecimento.

Disse uma vez o cineasta José Roberto Torero que há três sons que movem o Homem: tilintar de moedas, gemidos e aplausos. Não sei se dá pra dizer que isso é o que move o Homem, mas acho inegável que há no ser humano fortes impulsos de ambição, luxúria e vaidade. Esta, a bendita da vaidade, é que nunca entendi bem.

Na praticidade da vida, na verdade, ela não tem muito valor. Ela não proporciona o conforto material que o dinheiro pode dar, nem o prazer imediato e sensível do sexo, nem nada comparável ao que anseiam nossos outros impulsos.

O elogio, o aplauso, o troféu, a foto no hall da fama ou na capa da revista... que valor efetivo têm? Causam-nos apenas um prazer interior, vazio, nunca satisfeito, sempre mais ambicioso e fugaz. Isso, pra mim, é o mais importante sobre o reconhecimento: ele passa.

Para usar a imagem de um gênio, um de verdade agora, digo que a vaidade constrói sobre areia. O reconhecimento e a admiração são inconstantes porque brotam da superfície do coração humano, que é inconstante. O Homem fabrica ídolos, talvez por necessidade de admirar, adorar, não levada à profundidade, e os destrói logo, talvez pela esperança de ocupar seu lugar, tornar-se o objetivo da admiração.

No fundo, tanto o impulso de idolatrar quanto o anseio por reconhecimento são perversões dos anseios mais profundos e genuinamente humanos: os admiráveis desejos de amar e ser amado. Mas quando levados ao alto do pedestal, a gente descobre que reconhecimento não é amor, que elogio não é necessariamente carinho. Do pedestal, alguns descem, outros se jogam. Alguns permanecem ali, por medo de que viver lá embaixo seja humilhante demais. Em corações assim é que a vaidade venceu.

E a vaidade nos trai. No fim das contas, as imperfeições gritam e os que tentam permanecer no pedestal são derrubados de lá: todo reconhecimento exagerado ou indevido, por vezes conquistado à força de vanglória, vira às avessas, torna-se desprezo e/ou ridicularização. A destruição do “ídolo” o pega pela fraqueza: a humilhação. Os louvores tornam-se ofensas, os aplausos convertem-se em gargalhadas sádicas.

É, eu me peguei rindo daquela estátua da Brigitte: as pernas eternamente abertas numa pose tosca, o braço apoiado numa das coxas, a mão pendendo entre elas, o olhar “sensual” condenado a contemplar barquinhos de pesca e uma eternidade de turistas “bobos”, tirando fotos para suas redes sociais, perpetuando o ridículo. Ri sim, mas depois tive pena... o que ela fez para merecer isso?



Gustavo Lima
Estudante de Jornalismo
Oficina de Valores

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