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Por: Thales





Olá. Eu provavelmente não te conheço e você provavelmente não me conhece. Não sei quando você lerá este texto, e nem sei como ele foi parar diante dos teus olhos. Talvez tenha procurado na internet por alguma coisa que tem a ver com a Páscoa cristã. Talvez tenha clicado em um link em uma rede social. Talvez você esteja sendo um dos primeiro a ler estas palavras. Talvez, quando as viu pela primeira vez, não sabia decifrá-las, pois este idioma em que escrevo pode já ter sido esquecido pelo tempo... Quer tenha procurado por este texto, quer o tenha encontrado por acaso, eu gostaria de te fazer um pedido antes de você continuar a lê-lo. Sinto-me à vontade para te pedir algo, pois fui eu que inventei de juntar estas palavras do jeito que aqui ficaram, e acho que isso me faz um pouco dono do que escrevi. É bem verdade que, depois de ler e compreender as eventuais verdades que aqui estiverem dispostas, eu cederei para você a posse da parte que me cabe nestas verdades. Ela será sua. Se assim você quiser, é claro.

O pedido que gostaria de te fazer agora é que você se esforçasse para ler o que aqui está escrito com mente e coração abertos. Gostaria que de antemão soubesse que coloco nestas linhas algo que é decisivamente importante para mim, e que, segundo me consta, é igualmente importante para você. O que tenho para contar é uma notícia. Um fato que aconteceu, que me contaram e que quero partilhar contigo hoje. Talvez você já saiba do que se trata. Talvez nunca ouviu falar de tal coisa. Te peço que, de uma forma ou de outra, você se esforce para receber esta notícia como algo verdadeiramente importante.

Enfim, sem mais delongas. O assunto sobre o qual gostaria de partilhar contigo hoje é a fé cristã. Escrevo este texto no ano de 2016, e muitas pessoas de todas as partes do mundo seguem os ensinamentos e o estilo de vida de um homem que viveu há dois mil anos, em um lugar muito distante, esquecido pelo mundo. Ele passou três anos de sua vida ajuntando discípulos, ensinando uma doutrina que tem como centro a vivência do amor, e pregando a conversão íntima do coração, ou seja, fazendo um convite a uma mudança radical de vida. Este homem, é claro, é Jesus, chamado Cristo, um judeu filho do carpinteiro de Nazaré. Sua mãe é uma mulher chamada Maria, que viveu com ele durante 30 anos na província romana da Galileia, no Oriente Médio, que hoje é uma parte do país de Israel.

Ter discípulos e ensinar como devemos viver uma vida digna de ser vivida não é, porém, um comportamento exclusivo de Jesus de Nazaré. Apareceram na história (e certamente ainda aparecerão) outros grandes sábios, profetas, filósofos, e alguns foram muito mais imponentes, brilhantes e aparentemente mais radicais que Jesus. Por que, então, estes cristãos ainda creem neste homem? Por que ainda o seguem? Sua doutrina não está ultrapassada? Já não faz tanto tempo que ele viveu (e morreu)? Fico pensando que, se considerássemos apenas o fato de que um grupo de pessoas ainda seguem uma doutrina tão velha, não seria impossível deixar de invocar em nossa imaginação a imagem de algo decrépito, empoeirado, mofado? Por que, então, pessoas de todo o mundo ainda seguem esta fé? Que poder de convencimento teria exercido Jesus sobre seus discípulos, que os faz, ainda hoje, dar continuidade à sua Igreja? Esta, minha amiga ou meu amigo, não é uma pergunta retórica.

Diante deste questionamento, há duas posições possíveis. Em primeiro lugar, esta fé pode ser mesmo mal fundamentada. Esses seguidores de Cristo podem, de fato, estar enganados. Tudo isso que pregam pode até ter coisas boas e valiosas, mas no fundo seu encantamento com a pessoa de Jesus de Nazaré não passa de um delírio. Vários motivos podem haver para que, apesar de supostamente vazia, essa fé tenha se perpetuado pela história. Talvez os que se dizem discípulos queiram apenas o poder que uma hierarquia clerical lhes confere. Talvez seja próprio do homem querer acreditar em algo que lhe dê esperança, por mais bobo que, no fundo, este algo seja. Ou talvez bobos sejam os próprios cristãos, que acreditam em uma tolice. Ou seja, a fé cristã pode mesmo ser uma fé vã.

Mas há ainda uma outra possibilidade. É possível que esta fé tenha um fundamento. É possível que tenha acontecido, na história de Jesus e seus primeiros discípulos, um fato tão extraordinário e poderoso que, ainda depois de milênios, tem o poder de fascinar e arrastar homens e mulheres de todas as idades e de todos os povos. Meu amigo, minha amiga: é neste momento que peço a tua inteira atenção: este fato aconteceu, e eu creio naqueles que dão testemunho dele. Há dois mil anos Jesus viveu e morreu. E ressuscitou.

Jesus não foi apenas um sábio, por mais que tenha sido o maior entre eles. Ele não foi apenas um filósofo, apesar de que seu ensinamento ser maior que toda filosofia que já passou pela mente humana. Jesus Cristo, filho de Maria, é filho adotivo do carpinteiro de Nazaré. Seu Pai é o próprio Deus, criador, que tanto amou o homem que enviou seu filho para o salvar. E do que Deus tem que salvar o homem? Do último mal. De ter em si mesmo o seu próprio fim. De viver uma vida sem sentido. Uma vida curta, um sopro diante da eternidade. Deus quer que o homem viva na eternidade. Deus quer salvar o homem da morte. E para fazê-lo, ele teve que derrotá-la em sua própria arena: o coração do homem, a alma do homem, o corpo do homem.

A vida humana não é um sopro. Nós não estamos condenados a nos dissolver no nada absoluto! A fé cristã não é vã, pois Cristo ressuscitou verdadeiramente. É esta a notícia que tenho para te dar hoje. E gostaria que a acolhesse com todo carinho e reverência, pois ela custou muito tempo e muito sangue para chegar intacta até mim. Eu hoje te ofereço a parte dela que eu tenho. Se você quiser, ela pode, ainda hoje, ser toda tua.

Contam as Escrituras que as mulheres que primeiro descobriram este fato extraordinário, umas seguidoras muito próximas de Jesus e de sua família, estavam indo prestar as cerimônias a um corpo que tinha sido sepultado há mais de um dia. Elas acreditavam que se aproximavam de um sepulcro, um local de podridão, de coisa velha e ultrapassada. E elas só pensavam que ainda seria muito difícil chegar até o corpo, pois na entrada do túmulo tinha sido colocada uma enorme pedra. “Quem rolará para nós a pedra do sepulcro?”, pensavam elas.

Minha amiga, meu amigo. Eu já lamentei o fato de não te conhecer. Não sei qual é a pedra que te separa, hoje, da fé cristã. Talvez seja o mal exemplo de retidão de vida que os cristãos te deram. Talvez seja as coisas ruins pelas quais você passou, ou que cometeu. Talvez seja a tua insistência em só afirmar como verdade aquilo que a tua pequena cabeça consegue comprovar. Seja qual for o tamanho desta pedra, o próprio Cristo a rolará para você. Creio nisso. E quando você chegar lá onde Cristo esteve, vai perceber que o sepulcro está vazio. Que ele não está morto. Não está onde você sempre achou que ele estivesse. Ele está do teu lado. As suas palavras não são velhas. Seu toque faz novas todas as coisas, e ele quer, ainda hoje, fazer novo o teu coração. Ele quer estar para sempre contigo. Para sempre mesmo. Se você quiser.



Thales Bittencourt
Oficina de Valores

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