Por: Paulo Vitor


Dos 9 até os 19 anos eu sonhei, acreditei e lutei para ser jogador de futebol. Um sonho tão comum na cultura em que vivemos. Mas eu, verdadeiramente acreditei, não pensava em outra opção, não queria abrir margem para a possibilidade daquilo não dar certo.

Sobre o citado acima, já falei muitas vezes, em muitos contextos, e se você que lê este texto não sabe...bem, eu não me tornei jogador de futebol. Não vou elencar os motivos pelos quais o meu maior sonho e infância e adolescência não se tornou realidade. Só quero comentar o que veio depois disso.

Lidar com o revés nunca é confortável, aprender a refazer planos, mudar as metas, se reinventar, não é muito fácil. Alguns chegam a mergulhar fundo nas próprias frustrações, outros chegam a tirar a própria vida quando sofrem certas perdas.

Bem, ser jogador profissional, ganhar muito dinheiro e ficar famoso não foi o único conjunto de sonhos que deu errado na minha vida. Desde projetos mais grandiosos como este, até coisas mais simples, como ler um livro até o final, fazem parte de coisas que não saíram como eu esperava.

Olhando para minha história, percebo algo que, sinceramente, acredito não acontecer só comigo. Colocar a realização da vida em coisas que ainda não acontecerão; em pessoas tão falhas como nós; em lugares que nós sequer sabemos como são; tudo isso pode ser muito perigoso para uma vida realmente realizada, pois, quando se olha mais para o que não é, do que para o que já é, a vida pode se tornar um grande “mar de lamentações”.

É fato que o ser humano sempre tem sede de mais, de algo que vai além, e isso é maravilhoso. Nossa natureza busca algo ainda maior que nós. Mas essa busca não pode ser feita de projeções fantasiosas, de estar com a cabeça no futuro, sem saborear o que o presente nos dá.

Aqueles discursos, já citados em tantas palestras e livros, “serei feliz quando...comprar meu carro”; “e se...eu tivesse ido naquela encontro”; “quem dera...ter o emprego que fulano tem”, são um ótimo retrato da nossa capacidade de transferir nossas próprias responsabilidades, seja para o futuro, seja para o próximo, e até mesmo para Deus.

Toda essa conversa de adiamentos, ou lamentações, só nos leva a fazer mais do mesmo. Assim, não amadurecemos, e consequentemente, não encontramos o gosto naquilo que é cotidiano, nas pessoas que nos cercam, na comida que comemos, no bom trabalho que fazemos, no que acontece agora! A vida é uma só, cheia de lutas, vitórias e derrotas, mas, eu ouso dizer, as vitórias são muito maiores em tamanho e quantidade.

Não ter me tornado jogador me deixou triste sim, mas as portas que se abriram depois disso, e as vitórias que se seguiram a um grande plano frustrado, só puderam ser, quando decidi viver o que me cabia, o dia de hoje.



Paulo Vitor Simas
Professor de Ensino Religioso
Oficina de Valores

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