Por: Rhangel
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Há algum tempo venho querendo escrever sobre um tema que me incomoda muito e sobre o qual, por meio desse texto (desabafo), espero despertar um incômodo maior em mim e em quem lê. Há algum tempo sem escrever, atolado com as coisas da faculdade e do trabalho, percebi que um local onde muitos de nós convivemos por muito tempo é o ônibus. Sim, esse meio de transporte maravilhoso, limpo (sqn), pontual (sqn) e de respeito (só que muito menos). Existem muitos temas que são passíveis de discussão, como o desrespeito às mulheres ou a questão dos motoristas. Porém, hoje, me atenho a falar de um público muito especial, usuários frequentes e de uma presença que parece ter sido esquecida: os idosos!

Sempre me revolto um pouco quando chamam a juventude de irresponsável ou mal educada, no entanto, é inegável que “naquela época...”, a qual os mais maduros insistem em falar, o gesto de generosidade e consciência de dar lugar aos mais velhos era muito mais frequente. Acredito que todo mundo, por hábito ou por ser educado nesse sentido, sabe a importância de oferecer o lugar a uma pessoa de idade. Parece, mas só parece, porque não é isso que acontece todos os dias, independente de onde venha ou pra onde vá!

No meu outro texto – “Condomínio, ar-condicionado e fone de ouvido”-, falei um pouquinho sobre individualismo e, apesar da minha revolta expressada acima, pensando friamente, a gente nem se surpreende com a nossa falta de olhar com o outro. Todos os dias, fazemos mais coisas, estudamos mais, trabalhamos mais e dormimos menos. A nossa geração, além de “escrava” da formação profissional, tornou-se também constituída por indivíduos que escolheram, em meio a multidões, viver só com quem interessa. A tecnologia, nesse sentido, aproximou quem estava longe, mas infelizmente afasta hoje quem está tão perto, como neste caso, os idosos. São feridos, assim, princípios básicos de uma convivência respeitosa e até mesmo justa.

E por que hoje falar de uma coisa “tão batida”? Quis escrever sobre esse tema por ver a seguinte noticia: “Lei torna preferenciais todos os assentos de ônibus em cidade do PR”! Essa Lei prevê multa pra quem não der lugar para idosos... e não é obvio que deveríamos? Precisamos mesmo pagar pra aprender? Também não é obvio que não se deve beber e dirigir? Mas não, de novo, literalmente pagamos os nossos erros com dinheiro, o que não nos ensina nada diretamente. Como os casos de jovens ricos que atropelam, matam e saem impunes por ter dinheiro. Dessa forma, nossa geração evita esse tipo de punição, contudo, constantemente, só sabe ser educada se perder grana, e o pior é que vivemos nessa indiferença sobre as fragilidades do outro pra ganhá-la...

Não existe fórmula mágica pra esse problema, a não ser sair do nosso mundinho. Acredito que bons hábitos são construídos todos os dias! Passamos por pessoas – inclusive nós mesmos – que clamam a todo instante para que sua dignidade seja valorizada. Mudanças se fazem no pouco, no perto, por isso não vá longe, só olhe no seu dia e sem hesitar diga: “Pode sentar, senhora...”.


Rhangel Carvalho
Estudante de Comunicação

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