Por: Rodrigo
Imagem de: http: www.comunicacaoecrise.com



Um dos maiores comunicadores da história do Brasil, em uma conferência para profissionais e estudantes de Comunicação Social, iniciou a sua fala dizendo: “Sempre que me chamam para falar sobre comunicação não sei bem o que dizer. Não sei, porque não estudei comunicação, não saberia conceituar comunicação. O que sei é que comunico. A minha vida é comunicar, e a comunicação é a minha vida”.

Gosto dessa fala do Silvio Santos. Talvez ela contenha certo exagero, como normalmente as poesias contém, por outro lado há muita verdade nisso. O filósofo Aristóteles definiu o ser humano como um “Zoon Politikón”, o que poderíamos traduzir como “animal social”, ou seja, com base nesse entendimento o ser humano nasce para a relação, nasce para o contato, para o convívio. Portanto, não existe experiência verdadeiramente humana sem que haja comunicação. Conhecemos alguns casos nos quais o ser humano foi privado do contato interacional e as suas consequências foram trágicas. Por exemplo, um caso real e que foi adaptado para o cinema no filme “O Enigma de Kaspar Hauser”; outro, fictício o desenho animado “Mogli – O menino Lobo”. Tanto na ficção quanto na realidade, o ser humano sem comunicação se animaliza.

Desde um simples "bom dia"  pela manhã, até uma tese de doutorado, passando pelo programa de TV que assistimos, a notícia sobre o trânsito no rádio, aquela conferida no WhatsApp ou o pedido de informação que fazemos, em tudo está presente a comunicação. Afinal de contas, para definir comunicação, diria, a grosso modo, que é: um conjunto de símbolos que possuem um significado cujo entendimento é partilhado por um determinado grupo. Esses símbolos podem ser verbais, gestuais, escritos, desenhados, musicais, etc. Embora busquemos a definição, não nos compete aqui destrinchar teoricamente o tema. Entretanto, é bom que pensemos em como esse tema nos toca.

Para que qualquer tipo de comunicação aconteça são necessários três elementos: o comunicador (mensageiro); a mensagem; e o receptor (interlocutor). Simplificando, alguém que comunique; algo a ser comunicado e alguém que receba aquilo que foi transmitido. Quando qualquer um desses elementos não funciona temos um problema. É possível, por exemplo, que estejam reunidos numa sala dois amigos, um bastante disposto a conversar e o outro muito mais preocupado em conferir as notificações do celular. Enquanto o primeiro fala, o segundo ignora. Embora tenhamos um comunicador, uma mensagem e um receptor, há uma clara falha em quem recebe a mensagem. E se um dos elementos não funciona, a comunicação vai por água abaixo.

O fato é que, em grande parte dos casos, a nossa comunicação é ruim. Pense na quantidade de vezes que alguém entendeu errado algo que você disse. Ou nas situações em você tenha interpretado mal algo dito por outra pessoa...

“Quem não se comunica se trumbica”, a famosa frase do ex-apresentador Chacrinha, carrega uma boa dose de humor e revela uma grande verdade sobre os nossos relacionamentos. Frustramo-nos constantemente porque não sabemos como nos comunicar bem. Por isso, darei aqui alguns toques práticos que podem nos ajudar a melhorar a nossa comunicação:

1 – Estar atento aos outros

O principal inimigo da comunicação é o egocentrismo. Quanto mais eu me fecho em mim, preocupo-me apenas com as minhas questões, menor é a chance de estabelecer uma comunicação que seja eficaz. É necessário perceber as pessoas, ouvi-las com escuta atenta e olhar nos olhos. Somente quando somos capazes de nos colocar no lugar das pessoas é que de fato as percebemos.

2 – Ter o que comunicar e saber como comunicar

Ninguém é capaz de convencer daquilo que não está convencido. Para transmitir uma mensagem de forma autêntica, é necessário que essa mensagem seja verdadeira. O bom comunicador precisa se alimentar de conteúdo, mas não um conteúdo qualquer, conteúdo que valha a pena! Saber sobre o que fala e também conhecer o público que está na condição de receptor. Investir nas três esferas da comunicação. De uma mensagem falada, 55% é transmitida de forma não verbal, 38% pelo tom de voz e apenas 7% pelo conteúdo da fala em si.

3 – Priorizar a busca pela verdade

Cada vez mais tenho percebido como as opiniões e concepções são defendidas como um torcedor apaixonado defende o seu time numa conversa de bar. O problema, meus caros, é que em se tratando de política econômica, respeito à diversidade, aborto, e tantas outras questões extremamente relevantes, não estamos num "fla-flu". Definitivamente não. Estamos em busca da verdade. Quando estou em busca da verdade, reconhecer que estou errado me faz mais certo do que insistir em uma opinião errada. O maior avanço para quem está no caminho errado é dar meia volta e pegar o caminho certo.

Constantemente reflito sobre como hoje todo mundo tem opinião sobre tudo, sem no fundo nada conhecer. Na década de 40, o jornal impresso era raridade e as pessoas que tinham acesso a ele detinham uma forte influência social, simplesmente por terem informação. Hoje a informação vem de todos os lados o tempo todo, com nossos smartphones pesquisamos qualquer coisa a qualquer momento, mas parecemos perdidos. Falta-nos uma coisa, que precede a informação, chamada: formação.

De que vale tanta informação,  se não sei em quem acreditar? De que vale tanta informação,  se eu não sei aonde quero chegar? De que vale tanta informação, se mergulhado nesse universo da indiferença digital eu sou incapaz de ouvir quem tenta falar comigo? A formação consiste justamente em ter clareza do que somos e do que queremos ser. De quais são as nossas referências. E, acima de tudo, quem busca se formar está em busca da verdade. 

Estar em busca da verdade significa entender que a vida real vale mais que as fotos publicadas nas redes sociais, significa que mais importante do que expressar opinião sobre determinado tema é debruçar-se sobre livros e através de fontes confiáveis tentar entendê-lo; significa que, para aquisição de conteúdo sobre um determinado assunto qualquer que seja, não basta lidar como se este fosse produto de várias opiniões, é preciso saber a quem dar credibilidade. Estar em busca da verdade consiste em saber ouvir, entender, perceber que a verdade pode estar do outro lado e isso não faz de mim um perdedor, afinal ninguém tem domínio sobre a verdade. Não a possuímos, ela que nos possui.


Rodrigo Moco
Psicólogo
Oficina de Valores

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