Por: Fernanda


Imagem: divulgação


Há quase 5 anos, eu estava participando de uma experiência que mudou minha vida: fui à Jornada Mundial da Juventude de Madri. Os lugares que conheci, a família que me acolheu, a vigília com o Papa Bento XVI... Foi algo único na minha vida.


E mal acabou, já estava me preparando para o que aconteceria dois anos depois: a JMJ de 2013 seria na minha casa, o Rio de Janeiro. Ser voluntária, receber o mundo inteiro na minha cidade, participar da vigília na praia de Copacabana com o Papa Francisco... Pela segunda vez, uma experiência que nunca poderei esquecer.

Desde então, eu nutri a esperança de que mais uma vez poderia estar numa JMJ, e eis que em 2016, quando o mundo todo viaja até a Polônia, eu me encontro sem dinheiro e ocupada demais com os estudos para participar. Não vou negar que dá muita tristeza não estar acompanhando de perto. Às vezes a tristeza de não estar lá é tão grande que minha vontade é de sequer assistir... Mas seria um egoísmo enorme acreditar que toda essa juventude, todo esse país, é menos importante do que eu. 

E, por isso, vou dividir com vocês alguns pensamentos de como essa JMJ pode ser importante para mim e para você que também não foi. Se você leitor está indo para a Cracóvia, peço perdão antecipadamente por isso. E recomendo que deixe esse texto de lado por hora e aproveite intensamente tudo o que essa jornada proporcionar!

Precisamos, antes de tudo, nos lembrar que existem 1,2 bilhões de católicos no mundo, e a maior das Jornadas Mundiais da Juventude (que aliás foi nas Filipinas) recebeu um total de 4 milhões de pessoas. Por mais que esse evento seja vivido de forma singular por quem está lá, ele é para todos nós que somos Igreja, e a maioria dos “peregrinos” vive a jornada de sua própria casa. 

Podemos encarar isso com indiferença, ou apenas como expectadores, mas acredito na enorme diferença que fará para mim e para você se ao invés de assisti-la, nós quisermos vivê-la. 

Então, temos que nos dar conta de que nós que estamos de longe também somos responsáveis por esse encontro. Um evento desse tamanho requer que muitas coisas ocorram bem: que as estruturas funcionem, que haja verba para fazer todo o evento, que cada peregrino aproveite os atos centrais e as outras atividades, que passem bem de saúde, que Papa faça uma boa viajem e tenha um boa noite de sono... É aí que nós somos convidados a ser também voluntários, rezando por essas intenções.

Já ouvi e conheci tantas histórias de como essa experiência muda completamente a vida de uma pessoa, que percebo como é importante esse papel de rezar para que muitas vidas sejam transformadas pela Jornada. De rezar para que o mundo veja que nossa Igreja é viva; para que os jovens vejam que é possível encontrar a felicidade; para que a Polônia seja tocada por esse encontro maravilhoso; para que a Europa se abra ao cristianismo.

Uma outra forma de estar na jornada é apoiando os peregrinos que vão. É uma ilusão achar que ir a uma JMJ são só flores... A saudade de casa e da família, a dificuldade de comunicação, o cansaço físico e a convivência com a delegação pode ser difícil em alguns momentos, e é importante que quem vá sinta apoio em sua paróquia ou diocese. Em um dos seus livros, C. S. Lewis diz que dentro de uma comunidade cristã, quando eu abro mão de orgulho e inveja, o dom do outro é meu dom também. Assim, aquela pessoa que está indo a esta JMJ de 2016, está indo também por mim e por você!

Uma JMJ deixa muitos legados. O encontro com outros jovens, a proximidade para com o Papa, conhecer um país e dezenas de culturas, todas as lembranças que a gente leva para a casa e tem o prazer de trocar – cambiar – to change, os amigos que se faz, a lembrança de que a Igreja é a mesma em todos os países... 

Mas com certeza, um dos legados mais importantes são as mensagens que a Jornada traz. A mensagem que os brasileiros vão trazer para nós, que os nossos bispos vão dar, que padres, instituições de caridade e famílias tem a dizer... E principalmente, a tão esperada mensagem que o nosso querido papa tem para nos dar, para dar ao mundo inteiro.

Não me resta dúvidas de que estar em uma cidade lotada de jovens cantando, levando bandeiras e convivendo não pode ser substituído. Conhecer outro país, outras pessoas que partilham a fé, outras devoções. Estar em uma JMJ é uma experiência única. Mas também não me resta dúvida de que o maior presente de todos é a nossa Igreja viva e unida. E esse dom, esse maior presente, é para todos.

Não percamos, então, a oportunidade de assistir aos atos centrais pela televisão, de ler as homilias e mensagens do Papa, de ouvir as histórias daqueles que foram. Que venha então a Jornada Mundial da Juventude de 2016, com suas histórias, suas lembranças e sua benção; para os peregrinos, para os voluntários, para a Polônia, para você e para mim, para a Igreja Católica.

E em 2019, se Deus quiser, eu estarei lá onde quer que a próxima Jornada venha a ocorrer! Hoje, em 2016, estou aqui e alegra saber que isso não impede que essa JMJ renda bons frutos também para mim.


Fernanda Gonzalez
Mestranda em Engenharia Urbana
Oficina de Valores

1 comentários:

Gustavo disse...

Olá, Fernanda!

É muito bom ouvir o seu relato.
Também participei da JMJ 2013 e aguardava por participar dessa Jornada na Polônia.
Porém entre as outras atividades realizadas para o grupo de jovens, não foi promovido nada nessa direção.
Surgiram também outras coisas na minha vida que fizeram perder o foco da JMJ 2016. Pensei em participar da JMJ Live em São Paulo (que acabou não sendo realizada), com os amigos, já que não poderiam ir para Cracóvia.
Porém próximo aos dias do início, senti um grande aperto ao ouvir o hino, tinha o dinheiro, porém não tinha passaporte. Lamento muito por isso.
Porém tiro disso uma lição: não adiar para resolver as coisas e que Deus nos fez para a grandeza, que já não podemos nos contentar com antigos limites, Ele nos abriu o coração, está maior. Além, claro, é necessário confiar mais Nele do que em mim ou naquilo que vejo.

Já estou conversando com amigos e iremos juntar outros que querem ir também, para já começarmos a fazer algo para que podemos chegarmos juntos lá, mas também fazermos outros atividades enquanto a JMJ 2019 não chega, para que outros jovens descubram a alegria única que vem do Senhor.

Abraço

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