Por: Gustavo S



Essa semana, estava assistindo a um programa na TV e, quando começou o intervalo, já estava pronto para fazer outra coisa, mas quando vi que era comercial da Nextel quis ficar (não por que seja fã da operadora, mas sim porque pretendo trocar a que uso). Pois bem, fui surpreendido com um marketing que rotulei GENIAL!

No comercial, a protagonista era Daniella Cicarelli (tem outro em que é o Junior Lima). Nele, é abordada a idéia de que um rótulo não define a pessoa. Vou exemplificar com as falas:

Cicarelli - "A modelo que não deu certo como atriz, nem como apresentadora.
Aquela, que teve um casamento relâmpago com um ídolo mundial.
A que ficou na geladeira, e sumiu.
Rótulos não vão me definir.
O que me define sou eu.
Isso tá nas minhas mãos."

Junior - "A criança prodígio que cresceu e se perdeu.
Eterna sombra da irmã.
Aquele que nunca saiu do armário.
Rótulos não vão me definir.
Quem me define sou eu.
Isso tá nas minhas mãos."

Além desses, recentemente a Nextel lançou outro vídeo curto, de pouco mais de 1 minuto, em que chama algumas pessoas para falarem sobre rótulos.

Confesso que fiquei curioso para saber se eu era o único (oh, o “diferentão”) que tinha achado genial essa ideia e fui buscar as reações na Internet. Entre opiniões divergentes, duas me chamaram a atenção. No primeiro, a pessoa tentava defender a Cicarelli dos haters e usava argumentos do tipo “Ela não assumiu nenhum fracasso”, “Ela não é o que os outros dizem, pois quem define isso é você”, “Ela sabe muito bem o que ela é”. No outro, a pessoa não defendia ponto nenhum, apenas admirava a produção: “Tenho que admitir que esse comercial é de uma inteligência sem igual”.

No comercial é possível identificar três elementos da natureza humana que vou destacar.

Consciência – Leitura da realidade. Fica nítida quando olhamos para ambos os protagonistas enxergando a si de forma verdadeira, admitindo os rótulos que foram dados, mas acima de tudo, não deixando que essa fama seja maior que si. Fama não significa o que a pessoa é, e sim apenas o que dizem dela. O comercial leva o protagonista reconhecer-se, tanto os erros quantos os acertos. E te deixa aquela pergunta: “Será que ela é APENAS essa fama?”.

Liberdade – Esse elemento é compartilhado entre o comercial e o telespectador porque se trata da capacidade de escolher. É aplicado nos rotulados e em quem rotula. A liberdade de não serem presos aos rótulos e ao passado de cada um. A vida é marcada por escolha, não é porque fiz algo errado no passado que vou me prender a isso para não fazer algo bom no presente.

Responsabilidade – A definição desse elemento, em termos um pouco mais técnicos, já é esclarecedora: dever de arcar com as consequências das próprias escolhas; não ser produto das experiências que me afetam ou já afetaram; ser protagonista da própria vida; parar de se vitimizar. É fato que há conseqüências para nossos atos passados e uma dessas conseqüências são os rótulos. Rotular é um erro que as pessoas cometem sobre nossos erros, logo, é preciso assumir que também temos responsabilidade por eles. A responsabilidade está em assumir ‘quem eu fui’ ou ‘o que eu fiz’, e assim compreender que não sou limitado ao que passou. Eu tenho um presente, ‘quem eu sou’, ‘o que eu faço’. E também tenho um futuro, ‘quem serei?’, ‘o que irei fazer?’. O foco não é o erro ou acerto, o importante é admitir, e pensar em melhorar no presente e no futuro. Essa é nossa responsabilidade humana.

Rótulo é coisa para produto e não para ser humano. É de crueldade tremenda achar que uma pessoa é apenas aquele rótulo que lhe puseram. Julgar o livro pela capa não é bom, mas se tornou rotineiro nesse mundo em quem tudo precisa de velocidade, inclusive nossa impressão das pessoas. E foi nesse aspecto que a Nextel acertou em cheio! Algo tão simples e óbvio saiu com tamanha perfeição que se transformou em sucesso. Isso só prova que a simplicidade ainda é a característica mais sofisticada.

Gustavo Souza
Estudante de Administração de Empresas
Oficina de Valores

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