Por: Gustavo

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O maior feito do ser humano é a coletividade. Por ela é que foram realizados todos os outros grandes feitos. Mesmo o mais talentoso dos individualistas é incapaz de fazer o que faz uma equipe, pois faltaria a ele algo que só a coletividade tem: diversidade. Ela nem sempre é fácil, mas é sempre positiva.


A diversidade de opiniões, de talentos e capacidades, de histórias e experiências é crucial para o sucesso de qualquer empreitada. Já deu um grande passo quem descobriu que pouco pode sozinho. E mesmo quando se fracassa – momentaneamente, porque sempre se pode continuar tentando – a própria experiência de estar com o outro e compartilhar com ele os anseios, angústias e tudo mais que é próprio do trabalho, já será ganho.

Os defeitos e as limitações dos que trabalham conosco podem nos tentar para o isolamento e para o individualismo. Mas alguém que se recuse a trabalhar em grupo terá sempre muito mais dificuldade. Por melhor que seja no que faz, encontrará obstáculos para os quais não encontrará ajuda. E mesmo que os supere, mesmo que atinja os objetivos, vai lhe faltar um valor hoje muito negligenciado: alguém com quem dividir a alegria do sucesso. Terá um êxito assim tão seu que a muitos pode impressionar, mas a ninguém sensibiliza.

Claro é que a diversidade pode ser – e provavelmente será – conflituosa. Opiniões divergem. Personalidades se chocam. A diferença, num primeiro olhar, assusta.

Todos passaremos por situações tais quais: a ideia que nos parece a mais brilhante que já tivemos pode não agradar; a opinião sincera e dura de um colega pode incomodar; ver outros errando pode ser angustiante, especialmente quando julgamos saber fazer melhor; diante de um mau resultado, dizer “eu avisei” será tentador; ouvir “eu avisei” será desanimador.

Por isso, certas virtudes, que também se aprendem uns dos outros, são necessárias. A capacidade de ouvir, de dialogar; de corrigir em vez de criticar; de reconhecer e agradecer. A lista iria longe. Todas são desafios que valem a pena pelo crescimento que proporcionam.

Pensemos um pouco mais profundamente nestas virtudes. 

A escuta é a via do aprendizado por excelência. Mesmo naquilo que fazemos individualmente, há muito – quase tudo – de outros, que pelo conselho ou pelo exemplo, nos ensinaram a fazer. Um dos motivos pelo qual ouvir é tão importante. Também porque, quando deixo o outro dizer o que tem a dizer, permito que ele seja ele mesmo. Quantos há que cercados de pessoas são solitários porque, nunca ouvindo os outros, não lhes dão essa permissão de se mostrarem quem são. Se a diversidade é o trunfo do trabalho em equipe, o diálogo – mas principalmente a escuta, porque falar custa bem menos – é o espaço do seu exercício.

A diferença entre a crítica e a correção pode-se resumir no abismo que há entre dizer “isto está errado” e “isto seria melhor assim”. Uma visa destruir, a outra, construir. A escolha de palavras, a forma de dizer e a atitude posterior à denúncia do problema – dispondo-se ou não a ajudar. Há, repito, um abismo entre corrigir e criticar. Um abismo que o individualista não enxerga porque está acostumado a conversar apenas consigo mesmo.

Mas, se podemos destacar uma dessas outras virtudes, seria a gratidão. O reconhecimento do trabalho e do companheirismo alheio é, além de um motivador para aqueles que labutam conosco, um ato de ética profissional. Acima ainda disto, é um ato de humanidade. Reconhecer que os outros são diferentes de nós – e que isso é bom – e agradecer pelo fato de que, no que são melhores que nós, nos completam: por aí começa um bom trabalho de equipe.


Gustavo Lima
Estudante de Jornalismo

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