Por: Fernanda
Capa do livro "O que há de errado com o mundo" (Chesterton), que muito influenciou esse texto.


Um homem muito sábio, disse certa vez que mudar o mundo não começava pelo “fazer”, e sim pelo “pensar”. É preciso refletir, ter um ideal, ter a coragem de se questionar e de tomar decisões radicais na vida. Afinal, errado, primeiro de tudo, é não se perguntar o que é certo. 

Ler apenas não muda nada. Mas quando eu busco me formar, passo a ter mais ferramentas para transformar as realidades à minha volta. E como seria bom ter mais pessoas equipadas para isso no mundo... Pessoas com ousadia de se fazer perguntas. E coragem de buscar as respostas.

Precisamos enxergar que a transformação não apenas pode começar por mim, mas deve justamente começar em mim. Antes de responder o que há de errado com o mundo, eu preciso perguntar com sinceridade “o que há de errado comigo?”. 

Conhecer a mim mesma, conhecer meus limites e saber o que é preciso mudar em mim. Ter coragem de tirar da minha vida aquilo que não condiz com o que eu acredito. E ter a paciência de saber que nada pode mudar da noite para o dia. Nem eu mesma.

Precisamos saber que a nossa profissão pode sim mudar o mundo. E para isso eu preciso ser boa no que eu faço. Ter estudado hidráulica pode parecer não fazer diferença nenhuma. Mas se eu nunca aprendesse a fazer isso, nunca teria levado água encanada a uma comunidade que não possuía acesso a isso antes. Apenas sendo o melhor que eu puder ser no meu trabalho, no meu estudo e em tudo o que eu fizer, eu poderei fazer o melhor para o mundo.

E saber que, quando eu me proponho a conhecer mais sobre política, me abrir às artes, aprender a cozinhar, cuidar da saúde, saber como me relacionar com as pessoas e com toda a informação que está à minha volta, e tantas outras coisas boas... Aparentemente eu estou apenas desenvolvendo a mim mesma. Mas, enquanto eu me torno um ser humano melhor, eu torno o mundo mais humano para os outros.

Mudar o mundo significa sair de mim para ver o que o outro precisa. Pedir a doação de um litro de leite pode parecer a coisa mais banal do mundo. Mas organizar uma campanha de caridade, conhecer uma instituição de apoio a pessoas que precisam de ajuda, ouvir histórias, conhecer outras realidades, outras vidas, é um passo enorme. Um passo para quem ouve e para quem fala. Para quem descobre que pode ser ajudado e para quem descobre que pode ajudar.

É reconhecer que todas as pessoas trazem alguma coisa boa em si. E que muitos erros são cometidos por pessoas que precisaram de ajuda e não tiveram.

É saber que ser melhor dentro da minha casa já é fazer com que, para umas três ou quatro pessoas, o mundo seja um lugar melhor.

É saber que sozinha eu provavelmente nunca conseguirei mudar o mundo todo, mas se eu fizer a minha parte, o mundo de alguém pode ser mudado.

Mudar o mundo passa por entender que o lazer é preciso também, sem nenhuma culpa em se divertir. Nada como se acabar de cantar e dançar com os amigos em um sábado e encontrarmos a alegria que precisamos para enfrentar a rotina. E para aprendermos que as pessoas que convivem conosco podem encontrar alegria justamente através de nós.

É saber que fazer a coisa certa às vezes significa ir à contramão do que o que o mundo inteiro faz. Mas, ainda assim, a gente alcança a paz ouvindo nossa consciência e não os apelos midiáticos.

É saber que a forma com que eu amo as pessoas e como escolho enxergar as pessoas a minha volta pode fazer com que elas sejam melhores. E com que eu seja melhor também.

Às vezes fazer o que é certo custa até mesmo nossa vontade. Dá vontade de chorar e de desistir. Mas as recompensas existem quando nós vemos que nosso tempo, suor e esforço conseguiram fazer alguém mais feliz. 

Tentar mudar o mundo é admitir que algumas batalhas não serão ganhas. E que outras serão ganhas só depois de muito tentar. Mudar alguma coisa no mundo exige perseverança.

É saber que nas horas em que parece tão distante mudarmos alguma coisa, existem pessoas ao nosso lado para lutar nossas lutas. Existem muitas pessoas boas no mundo para se ter perto. Às vezes, tudo o que precisamos é ter coragem de pedir ajuda.

É saber que há sim muitas coisas erradas no mundo, mas que elas nunca vão ser maiores do que as boas.

É ter a certeza de que por mim mesma nada pode ser mudado. Mas saber que o desejo de ver o mundo melhor vem de muito além de mim, de Alguém muito maior que eu. E por isso vale a pena tentar.

Fernanda Gonzalez
Mestranda em Engenharia Urbana
Oficina de Valores

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