Por: Daniela
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Dizem que a ansiedade de uma final do campeonato de futebol é algo indescritível, o coração parece que vai parar e que o mundo se resume àquele resultado. Eu não sei dizer se é isso tudo, já que nunca fui muito fã dos esportes. Porém, mesmo não sendo a mais fanática das torcedoras, eu experimentei um sentimento  muito similar e a meu ver até mais intenso. No entanto, não com o futebol e sim com o vestibular.

Eu, como boa parte dos adolescentes, cheguei ao terceiro ano do ensino médio com intuito reto de entrar na universidade que desejava e como muitos eu idealizei essa trajetória como uma linha reta, sem altos e nem baixos. Porém, a caminhada se desdobrou em várias estradas esburacadas e ruas sem saída. Embora o caminho não tenha sido o sonhado, o objetivo foi concluído, eu fui aprovada no curso de medicina, o que em um primeiro momento se traduziu em euforia e em alívio.

Lembro-me até hoje do meu primeiro dia de aula e, mais ainda, lembro das expectativas que tive tanto daquele dia quanto do curso em geral. Eram altas, altas até demais, contudo aquilo não me soava exagero já que era, aparentemente, a realização de um sonho. Mas logo no primeiro dia tudo o que eu idealizei sobre como seria o meu período acadêmico caiu por terra. Não porque a faculdade não me oferecia possibilidades para superar aquelas expectativas, e sim porque eu percebi que o curso não traduzia o que eu buscava.

Eu tentei por um tempo, mas logo depois deixei a faculdade, apesar de alguns amigos e familiares me alertarem muito sobre a decisão, que para eles era precipitada demais. Mas estar em um lugar que é, supostamente, para te realizar, mas na verdade só te angustia, faz os dias parecerem anos e a vontade de sair é cada vez maior. O mais cômico é que depois disso a maior parte das pessoas  pensavam o quão frustrante deveria ser estudar um ano inteiro e depois vê-lo sendo "jogado fora" após algumas semanas de curso, quando na verdade o que foi, de fato, frustrante foi entrar no curso com que sonhei durante anos e perceber que eu estava realizando o sonho errado.

Acho que os primeiros reflexos que a vida universitária manisfesta em muitas pessoas são as mudanças na rotina, no senso de responsabilidade, em alguns casos são até mesmo as crises de saudade. Já no meu foi o auto-conhecimento. Entender quais eram as minhas habilidades e preferências e perceber que o curso que escolheria deveria traduzi-las independente das dificuldades foi a marca mais importante que o curso de medicina me deixou. Foi a partir disso que percebi algo que mudou meu pensamento. Notei que esse período de escolha pode ser tão complicado para muitos adolescentes como foi para mim porque lidei pela primeira vez com a possibilidade de estudar algo de que gostava apenas por gostar e não mais porque a escola me pedia. Por isso, eu tinha uma bagagem repleta de matérias com as quais eu não me identificava e no meio delas era muito difícil encontrar as que me realizariam.

Mesmo com todos os caminhos tortos que eu trilhei durante essa fase, depois de um certo tempo eu parei, pensei e fiz o que todos deveriam fazer antes de entrar para um curso de graduação: eu me conheci. Percebi onde uma pessoa como eu ajudaria e mais, o que me realizaria como profissional. Encontrei o que eu apreciava como hobby e o que, de fato, poderia ser o meu emprego, já que no final ele será o meu companheiro durante anos. E por fim escolhi o jornalismo. O curso traduz o que eu gosto e o que me torna útil aos outros e, além disso, se concretiza em um exercício profissional que me vejo realizando.

Depois da saída da medicina até a aprovação no novo curso tudo foram flores, fazer a matrícula, conhecer a faculdade, achar um apartamento para morar e por aí vai uma longa lista de momentos legais que a experiência acadêmica me ofereceu. Mas a faculdade vai além disso, ela traz momentos muito bons de conhecimento, de independência, em suma, de vivências inesquecíveis. Porém, ela também traz à tona períodos difíceis. A minha primeira semana em Juiz de Fora (cidade para a qual me mudei) trouxe com ela sentimentos ruins como a solidão, a sensação de estar perdida e de não pertencer a nada daquilo. A minha sala de aula não é tão aconchegante como a do ensino médio, minha professora não parece ligar se o motivo de eu faltar a aula é o fato de eu estar de cama e o diretor do meu curso também não parece estar muito preocupado com o professor de terça à tarde que não vai a nenhuma aula. Resumindo, a faculdade te dá a liberdade e muitas oportunidades, mas te tira a "paternidade" e o auxílio que a escola te dava.

Foi ruim, eu confesso, e como escrevo ainda na minha terceira semana, ainda não me sinto cem por cento em casa quando abro a porta do meu apartamento. Mas mesmo depois de pouco tempo eu percebo algo que não via na medicina. Agora começo a entender que todo início do período de graduação é difícil, pois ele se resume em mudança e toda mudança é incômoda no primeiro momento. Mas vale a pena, e isso porque imagino o quão gratificante deve ser ver essa etapa concluída. Além disso, a graduação oferece oportunidades muito boas, mesmo com todas as dificuldades e defeitos que um curso pode ter, ele abre portas que mudam a sua história e expandem seus horizontes, e isso certamente compensa as situações adversas.

Por fim, o melhor e mais bonito que esse período de mudança me trouxe foi ver que não existe tempo perdido no caminho que conduz à sua realização como profissional e por conseguinte como pessoa. Tudo é gratificante, as horas estudando, a ansiedade e a saudade de casa. Isso porque, como um autor desconhecido já dizia, "sem esforço nenhum sonho vira conquista".

Daniela Pires
Estudante de Jornalismo

2 comentários:

Setor Juventude Catedral disse...

Filha vc é simplesmente maravilhosa!!!te amo.

Claudia miranda disse...

Parabéns Dani querida pela coragem de enfrentar todas as dificuldades pela realização de seus sonhos. Conte sempre com sua família que te ama.

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