Por: Carolline

Com grande alegria escrevo este texto, sobre a Madre que agora é Santa Teresa de Calcutá. Freira de etnia albanesa, começou a viver seus votos aos 18 anos. Entrou para uma congregação na Irlanda, a das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto, onde ficou pouco tempo. Foi para a Índia, lugar onde se naturalizou e, mais tarde, fundou as Missionárias da Caridade, em Calcutá.

Um dia, ao sair do convento para um congresso, ela enxergou a miséria presente em Calcutá. Mesmo depois de anos ali, nunca havia percebido o local daquela forma. Ouve Deus clamando ajuda nos pobres, miseráveis e doentes. “Para Deus são agradáveis todas as obras de misericórdia, porque no irmão que ajudamos, reconhecemos o rosto de Deus que ninguém pode ver. Todas as vezes em que nos inclinamos às necessidades dos irmãos, damos de comer e beber a Jesus; vestimos, apoiamos e visitamos o Filho de Deus”. O clamor de Jesus que sofre através dos doentes chamou Madre Teresa a uma vocação específica, o cuidado dessas pessoas que estão marginalizadas.

Para cuidar dessas pessoas ela teria que dispor de sua vida e isso incluía suas obrigações como freira dentro da congregação. Por isso, pediu autorização para, sozinha, estar nas ruas cuidando dos que necessitavam. É curioso que Mary Ward, a religiosa que fundou a congregação da qual Madre Teresa fazia parte, tenha feito pedido semelhante, de trabalhar com os pobres, no séc. XVII, o que lhe foi negado. Mas à Madre Teresa foi permitido. Com essa concessão, Madre Teresa então passa a cuidar dos pobres na rua, pede restos e doações a pessoas para os necessitados; dava aulas e alimentava crianças carentes. Mais do que isso, dava amor e carinho para essas pessoas. 

Porém, a Madre superiora do convento se sentia incomodada com a situação, pois achava que Teresa deveria estar ajudando nos afazeres da congregação e que o lugar de uma freira não era na rua, então fez a seguinte pergunta: “o que uma única pessoa pode fazer contra as maldades do mundo?”.

Uma pausa aqui na vida de Santa Teresa para falar um pouco da minha.

Várias vezes, me deparei com essa mesma pergunta, “o que eu sozinha posso fazer pelo mundo? Ele não vai mudar se eu der comida para um irmão de rua”, “O mundo não está mudando com as coisas boas que eu faço”, “Precisa ser coletiva essa mudança, precisamos mudar todos, mas isso é impossível”... Um sentimento de que meus esforços solitários por vezes não geravam nada, nem minimamente, ao meu redor, nos locais onde vivo, como a faculdade, minha casa, meu trabalho e ainda mais no mundo todo. Então, Madre Teresa veio em meu socorro respondendo: “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”. É necessária a nossa gota no mar, é necessário nosso esforço, mesmo que solitário, porque ele com certeza acaba dando frutos. Às vezes vistos, às vezes não.

O esforço solitário de Madre Teresa gerou uma congregação que cuida dos pobres, o que significa mais pessoas ajudando pessoas. A sociedade é composta por nós e precisa de nosso esforço para que seja aos poucos modificada. E Teresa ainda diz: "Não se preocupe com números. Ajude uma pessoa por vez e comece com quem estiver do teu lado", “Não é o que você faz, mas quanto amor você dedica no que faz que realmente importa” e “Não espere por grandes líderes; faça você mesmo, pessoa a pessoa. Seja leal às ações pequenas porque é nelas que está a sua força.”

Muito ao contrário das críticas que a tachavam de uma religiosa que apoiava uma “cultura do sofrimento”, de resignação com os pobres, ou de proselitismo religioso, tratava-se de uma mulher que era caridosa, que amava quem necessitava absurdamente, era capaz de sentir a dor daquele que a estava sentindo. Mais do que só dar comida, ela deu carinho, atenção, deu amor...

“Espalhe o amor por onde você for: antes de tudo, em sua própria casa. Dê amor a seus filhos, sua esposa ou seu marido, a um vizinho próximo... Não permita jamais que alguém se aproxime de você sem viver melhor e mais feliz. Seja a expressão viva da bondade de Deus; bondade em seu rosto, bondade em seus olhos, bondade em seu sorriso, bondade em sua terna saudação.”

Santa Teresa de Calcutá, rogai por nós!


Carolline Ramos Dias
Estudante de História
Oficina de Valores

0 comentários:

Postar um comentário