Por: Rhuan


“Sexta-feira, 16 de setembro...”. Bem, de fato, foi então que o Retiro Universitário começou. Lá pelas 21h, com uma animada chamada para aquela breve conversa, que foi seguida por uma acalorada intercessão. Partindo daí, porém, seria complexo explicar com palavras o quanto esse retiro foi intenso para mim e o quanto me afetou. Recuar alguns passos é mais do que necessário. Apenas dizendo como eu me encontrava conseguirei expor de forma profunda o valor que teve para mim essa experiência com a juventude de Cristo. 

Pra começar, vale dizer que não faz muito tempo que me reencontrei com a Igreja Católica. Nasci em um lar católico, porém, não praticante. Quando eu era ainda criança, problemas familiares dividiram minha família. Dali por diante, todos da minha casa passaram ao protestantismo. Inclusive eu.

Lá pelos doze ou treze anos, uma série de questionamentos à doutrina protestante me levou a abandonar a igreja. É importante dizer, no entanto, que nunca abandonei totalmente a minha fé. Eu apenas passei a me dirigir diretamente a Deus. E foi assim durante toda a minha adolescência, até que entrei na Universidade Católica de Petrópolis. 

Logo de início, o convívio universitário me impôs vários desafios. Eu estudava “História”, um dos cursos onde as ideologias falam mais alto. Os debates eram constantes e minhas opiniões destoavam da maioria. Na verdade, mesmo sem muito conhecer, minhas opiniões quase sempre estavam condizentes com os princípios da Doutrina da Igreja. Porém, na universidade, você tem que se embasar. Tem que buscar respostas filosóficas, políticas e econômicas. E em busca das ditas respostas eu fui. Nos estudos, conheci grandes pensadores. Conheci Santo Agostinho, conheci Chesterton; e em seus escritos encontrei respostas que iam além das questões filosóficas ou políticas. 

Encontrei a resposta àqueles questionamentos que me fizeram abandonar a igreja. Com efeito, não havia mais motivos para me manter afastado. Entretanto, nessa fase, eu já não queria qualquer igreja, mas sim “a Igreja”; aquela una e santa, que era capaz de suprir meus anseios espirituais e racionais: a Igreja Católica.

Mais ou menos nessa época, conheci a Oficina de Valores, primeiro por meio do blog, depois pelos colegas da faculdade. Eu queria muito fazer parte da Igreja. Queria frequentar uma paróquia e, quem sabe, contribuir em um grupo de jovens. A rotina intensa atrapalhava. E mesmo quando eu conseguia ir à missa, uma ou duas vezes no mês, eu não conseguia me incluir. De fato, alguns amigos tentaram me ajudar. Convidavam-me com insistência para missas e eventos, no entanto, meus horários eram complicados e com o tempo eu me acostumei com a situação. Ir à missa era ótimo. Eu sentia a presença de Deus, mas ainda faltava algo.

Durante a última semana, as coisas começaram a mudar. Recebi de alguns amigos próximos o convite para ir ao retiro. Dessa vez, eu enfim poderia aceitar. Eles insistiram. Eu aceitei. 

Em parte, minhas expectativas quanto ao retiro eram altas: o tema “O que há de errado com o mundo?” fazia referência a um livro que fez parte da minha formação e vários amigos haviam feito comentários positivos quanto ao retiro da Oficina. No meu coração, porém, achava que a experiência se assemelharia com a das missas. Eu pensava: “não tem como ser ruim, é para louvar ao Senhor, mas sei que vou me sentir um ‘peixe fora d’água’ lá”.

Chegando ao sítio na sexta-feira, essa previsão foi colocada à prova e, logo, caiu por terra. Fui recebido de uma forma surpreendentemente boa e incluído quase imediatamente. Dali pra frente, ao longo do retiro, tudo favoreceu a criação de laços. As conversas, as dinâmicas, os momentos de reflexão coletiva e mesmo a disposição das equipes facilitavam o conhecimento de novas pessoas. Enfim, eu estava descobrindo o quanto é bom participar da comunidade católica. A experiência da espiritualidade coletiva e compartilhada é incrível. 

Dentre todos os momentos do retiro, assumo que rezar o Terço foi o que mais mexeu comigo. Explico: devido a minha conversão ao catolicismo ter ocorrido de forma tardia e quase individualizada, eu nunca havia aprendido a rezar Terço. Eu até fazia, com base em tutoriais de internet, mas não da forma correta. Na primeira noite do retiro, ao nos recolhermos no quarto e rezarmos juntos, tive a chance de aprender. Foi muito especial para mim.

No encerramento do retiro, eu, assim como todos ali, não queria que aquela experiência acabasse. E graças a Deus não acabou. As últimas palavras do Rodrigo, animador do encontro, diziam justamente que o retiro era o começo de algo muito maior; era o ponto de partida da nossa vivência espiritual compartilhada, marcada pela reflexão do nosso papel a respeito da mudança que queremos no mundo. É provável que cada um de nós tenha recebido aquelas palavras de uma forma, pois temos anseios diferentes. Mas pra mim, saber que a partir daquele dia eu posso contar com amigos em Cristo é algo que não tem preço.


Rhuan Reis

Graduado em História
Participante do Retiro de Universitários da Oficina de Valores

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