Por: Marcelo e Murilo




Desde que cheguei na Diocese de Petrópolis, no início deste ano, ouvi falar muito bem da Oficina de Valores, embora não houvesse tido a oportunidade de conhecê-la de perto. Assim como os outros seminaristas do propedêutico (1º ano de seminário), fui convidado a participar do CAMIS. Já tinha ouvido falar do curso durante o ano, mas confesso que não criei grandes expectativas. Mas antes de falar da minha experiência desses últimos dias, vale a pena destacar alguns pontos.

Já cursei uma faculdade e concluí o curso de Engenharia de Produção antes de entrar no seminário, e digo que tive muita sede de “uma oficina” ao longo dos meus anos de estudo. Existe um desejo profundo, uma sede, em toda e qualquer alma humana de conhecer a verdade. Alguns podem ter esse desejo adormecido, outros podem negá-lo forçando-o a um “coma”, outros podem buscar saciá-lo com meias verdades ou até mesmo com mentiras; mas a satisfação desse desejo só se dá quando encontramos a Verdade e passamos a viver na Verdade. Isso é algo tão indispensável quanto dispensado pela maioria das pessoas.

Graças a Deus, os que tiveram este encontro têm consciência da radicalidade e da importância desse acontecimento e - por ele mesmo - recebem o amor e a vontade necessários para torná-lo possível a outros, independente de quem seja.

Digo tudo isso para agradecer a Oficina de Valores por estes dias de CAMIS. Não foi bem um primeiro encontro com essa Verdade, mas um reencontro profundo. Um encontro novo. Um encontro não só para conhecê-La mais a fundo, mas para aprender a melhor viver Nela e a levá-La aos outros. Para tomar mais consciência da urgente necessidade de desapegar-se de si mesmo e ir a caminho de quem ainda está em si mesmo.

Agradeço profundamente a Oficina de Valores por este retiro. São poucos os que têm a capacidade de executar trabalhos no alto nível em que esse foi realizado. Agradeço pelos ensinamentos tão valiosos passados com extrema honestidade, pelas amizades feitas e por toda alegria proporcionada nestes quatro dias.

Que Deus abençoe a todos da equipe para que continuem fazendo esse trabalho maravilhoso e indispensável, que poucos fazem. Contem sempre com a minha ajuda, no que for possível, e com as minhas orações.



Marcelo Ferreira
Seminarista no Seminário Nossa Senhora do Amor Divino
Participante do retiro CAMIS - Caminhos para Missão



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Certa vez, ouvi um padre dizer a seguinte frase de Santo Agostinho: ''Tenho medo do Cristo que passa sem que eu perceba''. Uma frase impactante, que provoca uma profunda reflexão. A presença de Cristo foi marcante para a humanidade, tão marcante que a história é contada antes e depois da vinda dele a este mundo. Então, como é possível que essa presença tão ímpar não seja percebida?

Essa pergunta leva-me a refletir em tudo o que vivi nesses últimos dias. Aconteceu na nossa diocese um curso chamado CAMIS, Caminhos para Missão, do qual participei. Confesso que a proposta do curso era desconhecida para mim, sabia apenas que seria simples e profundo, de fato foi assim. O curso tem um apelo vocacional e nos atenta para a necessidade de ouvir a Deus, ouvir o que Ele tem preparado para nós, qual o chamado Dele para nossa vida.

O objetivo dessas mal traçadas linhas, caro leitor, é testemunhar como essa proposta me impactou e modificou meu modo de pensar algumas realidades da vida.

Logo que chegamos, as seguintes questões nos foram apresentadas: ''Qual o teu projeto de vida?''; e ''O teu projeto de vida é pensado a partir da tua vontade ou de acordo com a vontade de Deus?''. O meu sempre foi pensado de acordo com a minha vontade, afinal de contas, sou eu que respondo por mim, devo ter maturidade suficiente para assumir as consequências do meus atos e Deus não teria participação nisso uma vez que Ele me concede a liberdade. A desconstrução desse pensamento começou com a seguinte frase dita: ''Vocação acertada, futuro feliz''. Perceba, caro leitor, que na afirmação que fiz acerca do projeto de vida, não há menção a palavra “felicidade”.

No fundo, tudo o que nós procuramos é essa tal felicidade, senão tudo o que fazemos é vazio e perde o sentido. E ela não pode ser medida, não se quantifica felicidade. O que eu estava fazendo era tentar ''calcular felicidade'' de acordo com as consequências das minhas escolhas e isto estava me levando a frustração. Durante o curso, pude ter contato com muitas experiências vocacionais, com a beleza e as dificuldades específicas de cada realidade. O que notei foi que essas pessoas são realizadas nos seus modos de viver e percebi isso pela simplicidade e leveza dos relatos. Tudo isso me levou a repensar o meu projeto de vida: continuo sendo responsável pelas minhas escolhas, mas elas serão feitas de acordo com a vontade de Deus. 

Outro ponto importante que foi matéria de reflexão foi o que é ser Igreja. É fazer parte do corpo em que Cristo é a cabeça. E uma frase importante dita foi: ''A missão de um é a missão de todos''. Nos momentos de oração, a palavra que mais vinha no meu coração era comunidade. Até então, fui um cristão que não dava a devida importância que a comunidade tem na vida do fiel, e isso tornava minha fé estéril. É no encontro com o outro que eu sou revelado a mim mesmo, o cristão é um ser comunitário. Eu não compreendia isso e, portanto, não compreendia o cristianismo.

Em um dos dias tivemos contato com a Comunidade Jesus Menino. Ela é reconhecida a nível mundial como uma das maiores comunidades pró-vida que existem. O serviço desempenhado lá é maravilhoso, o cuidado, a atenção e o amor que os voluntários dedicam aos meninos é impossível expressar em palavras, só se tem a noção do que é quando visitamos o lugar. Foi lá que eu encontrei o Cristo, lá está o Cristo que passa no rosto e no abraço de cada filho da comunidade. Onde está o irmão que sofre, que é rejeitado e abandonado, que é incompreendido, aí está Cristo. Muitas vezes não O percebemos porque estamos tão acomodados na nossa fé egoísta que fechamos os olhos aos que sofrem. 

Eu não quero nunca deixar Cristo passar sem enxergá-Lo, sem tocar Nele e ser tocado por Ele e acho que nenhum cristão deveria querer isso.


Murilo Henrichs
Estudante de Física
Participantes do retiro CAMIS - Caminhos para Missão

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