Por: Fernanda

A palavra crise tem sido muito escutada nos noticiários, aulas de faculdade e até nas mesas de bar. E isto ocorre porque o que acontece na economia tem afetado grande parte do país. Os jovens têm dificuldade de se inserir no mercado de trabalho, os aposentados de lidar com os altos preços, muitos perderam seus empregos, contraíram dívidas, adiaram viagens, cursos, casamentos...

E, infelizmente, essa dificuldade que alguns têm enfrentado afeta mais do que o nosso bolso. Afeta também o nosso emocional. Junto com a falta de dinheiro, nós muitas vezes experimentamos também frustrações, desesperos, tristezas e outros sentimentos que acabam se tornando a crise pessoal de cada pessoa. E no meio disso tudo eu me perguntei uma coisa que vocês podem ter se perguntado também:

É possível ser feliz durante a crise?

Eu não sei o que todos os brasileiros estão passando neste momento e, provavelmente, quanto mais eu conheça mais vou me deparar com realidades duras, com situações que põem um nó na garganta e até lágrimas nos olhos. Mas sei também que no meio de sofrimentos escondem-se milhares de histórias de superação, de solidariedade, de união. De gente que no meio de uma dificuldade percebe que ainda têm mais a agradecer do que a reclamar. E penso que quem não consegue ser feliz durante a crise, em uma época de fartura dificilmente o será. Afinal, a felicidade não está nas coisas materiais.

Isso me deixa muito convencida de que não é a falta de dinheiro que nos faz infeliz. O que nos faz infeliz é acreditar que é o dinheiro que traz felicidade.

Mas, e na prática, como se traduz aprender a viver nesse período?

Pensando nisso, tomei a liberdade de listar algumas dicas de como lidar com o orçamento apertado. Peço a você que lê que não se frustre se considerar os conselhos muito rasos, pois não sou administradora, nem economista. Mas peço também boa vontade de considerá-los úteis, pois vem de uma pessoa que está passando pela crise também:

1) Aproveitar para aprender. Enquanto buscam emprego ou precisam interromper os estudos, as pessoas acabam ficando com tempo livre. Aproveite para ler, estudar, se formar. Na Internet existe uma infinidade de cursos e materiais gratuitos e baratos, desde aprimorar um idioma até aprender um ofício novo.

2) Tentar guardar dinheiro. Essa pode parecer uma piada quando a realidade da maioria das pessoas é estar precisando de dinheiro. Mas quando se ganha alguma coisa, tentar guardar uma parte é muito importante para se prevenir diante de uma situação de emergência.

3) Economizar. Passar pelo exercício de “esticar” o dinheiro, distinguir o que é supérfluo do que é essencial, caçar promoções. Quando aprendemos a desapegar percebemos que muitas coisas que queremos podem facilmente ficar para mais tarde. Por exemplo? Que roupas você realmente precisa comprar, e quais apenas deseja ter? 

E percebemos também que muita coisa pode ser economizada se a gente se dispõe a tentar. Por exemplo, já comparou a diferença entre comprar uma caixa de suco e a fruta para fazer o suco você mesmo?

4) Pensar nas alternativas. Talvez algo que você não se imagine fazendo para ganhar a vida pode ser uma ajuda preciosa para esse momento, como algum talento que você encare apenas como hobbie.

5) Criatividade como alternativa ao dinheiro. Criatividade nos entretenimentos, nos hobbies, nos presentes... E sobre essa dica, me sinto na obrigação de escrever mais, porque verdade seja dita: para uma família ou um grupo de amigos, estar juntos é mais importante do que onde estão juntos ou que estão fazendo. E nessas horas a gente percebe:

Marcar em um restaurante é bom. Mas que tal uma trilha, um futebol, um pique nique? 

Delivery é bom. Mas já imaginou a aventura de se juntar no fogão para experimentar cozinhar com os amigos?

Os caros barzinhos ou festas podem perder um pouco a qualidade ao dar lugar a um podrão ou lugares mais baratos. Mas não perdem o bom momento, as boas conversas e as boas lembranças, se houver boa companhia.

Aliás, em boa companhia, um café, uma casquinha de sorvete, ou simplesmente sentar na praça (gratuitamente!) é prazeroso. Ir a shows, ou programas culturais mais caros com certeza é insubistituível. Mas juntar amigos para uma maratona de Star Wars ou de Friends, o que poderia ser melhor?

E na hora de presentear, geralmente ver que a pessoa se importou é mais importante do que o quanto ela gastou. Um presente pode ser algo caro. Mas também pode ser algo simbólico e cheio de significado; pode ser encomendado com antecedência de um site mais barato; pode ser feito a mão.

E minha última dica dirige-se especificamente a uma minoria que está passando ilesa por essa fase. Se a crise não te atingiu, que maravilha! Mas não deixe de procurar essas virtudes que nos ensinam a economizar também, sempre pode ser útil para ajudar a comprar alguma coisa a longo prazo, planejar aquela viagem que você sonha fazer... E principalmente, você provavelmente está cercado por pessoas que atravessam alguma dificuldade (pois essa é a realidade da maioria). Então sensibilize-se com essas pessoas e situações e seja compreensivo com os limites que cada um enfrenta. Não é impossível uma amizade entre alguém que está duro e alguém que não está se houver compreensão. 

Com o devido otimismo, eu acredito ainda que essa época de crise pode ser aproveitada muito mais do que simplesmente superada. Quanta coisa boa a gente consegue cultivar no meio da dificuldade...

Tempo de crise é tempo de cultivar a esperança. De que as coisas vão se ajeitar, e de que Deus vai cuidar para que não falte nada.

Tempo de ser solidário. Está difícil para você, mas também está para a pessoa ao seu lado. Doar uma parte do que se tem para quem precisa, ainda que se tenha pouco, vai te fazer um ser humano melhor e mais completo.

Tempo de cultivar a empatia. Passar por uma dificuldade me sensibiliza para quando os outros também passem por uma.
Além disso, a crise nos ensina a valorizar mais as coisas que não tem preço: as pessoas, os momentos, as companhias, a leitura...

Termino dizendo que o importante não é sobreviver a crise. Sobreviver é diferente de viver, pois para sobreviver nós precisamos apenas de dinheiro para nos sustentarmos. Já para viver precisamos apenas de uma esperança. Que vai além do dinheiro e que, ao mesmo tempo, não precisa de dinheiro nenhum para existir.


Fernanda Gonzalez
Mestranda em Engenharia Urbana
Oficina de Valores

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