Por: Rafa Souza

O final do ano se aproxima e com ele as festas comemorativas, confraternizações de empresas, amigos, grupos, entre outros. Passa a não faltar eventos e sim faltam dias para as festanças. Sabemos o quanto é bom e gratificante chegarmos à conclusão de mais um ano. Contudo, um dos lados que vai ao desencontro de toda essa harmonia é o lado financeiro. Como controlar todas essas despesas e entrar no ano de 2017 no azul? Não serão as simpatias de fim de ano que vão garantir isso, mas o planejamento financeiro.

Hoje, teremos no Brasil a Black Friday, considerado um dia de grande importância para o varejo. Iniciada nos Estados Unidos, a “sexta-feira negra” (numa tradução literal) foi introduzida em nosso país no ano de 2010, totalmente online. Com o passar dos anos, e cada vez ganhando mais força, a Black Friday hoje impulsiona os consumidores a encararem lojas lotadas e filas intermináveis, a fim de produtos com preços abaixo da média. Ano passado, com a crise financeira pela qual nosso país passava (e ainda passa), a expectativa não era das melhores, tendo em vista cada vez mais aumentos nas mesas de nós, brasileiros. Fui surpreendido! As vendas realizadas na sexta-feira, dia 27 de novembro de 2015, totalizaram um aumento de 76% sobre o que foi registrado no mesmo dia do ano anterior. 

Poderia vir a pensar que os consumidores se planejaram e aguardaram pela ocasião, afinal, como no popular dito, ela faz o ladrão. Mas, não! E quando vivemos um período de constantes aumentos e alto número de desempregados. Fato é que o brasileiro é consumista! Adquire a uma proporção em que se vê impulsionado por um fortíssimo e agressivo marketing, que se faz presente por meio da televisão, cartazes, e-mails, telefones, enfim, um marketing que acompanha nossa sombra, onde estivermos. 

Durante o dia da “sexta-negra” do ano passado, tive a oportunidade de acompanhar de perto os preços, as negociações e vendas. E pude perceber que as lojas lotadas não tinham fiéis compradores e sim curiosos e amadores, clientes a fim de se satisfazer com a compra no dia da Black Friday, mesmo sem a necessidade de ter o produto. Encontrei preços consideráveis, fazendo jus a um dia de liquidação e grandes promoções. Porém, infelizmente, foi possível identificar fraudes no mercado, em que muitas vezes o consumidor era enganado. As compras satisfazem o nosso desejo de consumir, mas fica a lição de que o consumo, antes de tudo, requer de nós planejamento e “pés no chão”. Não se deixe levar pelo impulso.

Entrei nesse assunto porque, a partir desta data, o planejamento orçamentário do fim do ano e do começo de 2017 se faz necessário. As pessoas vão ter que colocar o controle financeiro como prioridade no dia a dia, pois este deve ser um Natal de austeridade. Por exemplo, uma compra na Black Friday parcelada no cartão de crédito irá interferir diretamente nas compras de Natal. Não se deve restringir o orçamento apenas ao momento da compra, é preciso um planejamento para não ser surpreendido ou ficar endividado. Antes de tudo, para fazer este plano financeiro, é preciso anotar, pelo menos por um período de um mês, rigorosamente, todos os gastos e receitas pessoais ou da família. A partir daí se torna possível identificar os excessos e começar a economizar para realizar suas compras, atividades natalinas e um início de ano com saúde financeira e a própria independência orçamentária.

É muito comum nos esquecermos que logo ao término de dezembro temos o início de um novo ano. Assim, temos grandes despesas nos esperando, uma avalanche de impostos, como IPTU e IPVA. E também renovações de matrículas, listas de material escolar, viagens de férias ou planejadas para o Carnaval. Mais uma vez, nos sobram eventos e nos falta dinheiro. Com isso, corremos o sério risco de não começar o ano no azul. Lembre dos objetivos financeiros que você não cumpriu nos anos anteriores e não deixe para pensar nisso só quando as dívidas já tiverem se tornando uma bola de neve. Por isso, há necessidade deste controle orçamentário por meio de um planejamento financeiro.

Apresento maneiras para que seja possível fazer desse ciclo – Natal, Ano Novo, Férias – um período satisfatório para as finanças e, posteriormente, uma educação financeira para se levar durante todo o ano.

Avalie sua situação financeira. Parece óbvio dizer isso: não se dever comprar mais do que se ganha. Porém, o que vemos na prática, muita das vezes, é o contrário.
Corte os gastos. Não seja refém das mercadorias e serviços, o poder de compra está sempre na mão do consumidor. Economize, corte os excessos.

Planeje os presentes de Natal. Sim, faça a lista antes de sair às compras, coloque um limite nos valores dos presentes. Em frente às vitrines, a chance do emocional falar mais alto é muito maior.

Fuja das dívidas, do cheque especial e das parcelas do cartão de crédito. Temos os maiores juros do mundo, isso já basta! Compre à vista, sempre que possível. Dentre todos os benefícios, é a melhor maneira para se negociar descontos. Lembre-se: sempre existe desconto! Não tenha vergonha em pedi-lo. 

Prepare-se para janeiro. Como já foi dito, o início do ano exige muito de nós financeiramente, fique atento!

Tenha metas. Certamente o ano futuro já nos faz criar expectativas, então esteja preparado para elas.

Estas são algumas dicas que com certeza podem ajudar a fazer as comemorações de final de ano ainda mais agradáveis. A conquista da independência financeira vai muito além de apenas ter um bom salário, implica em toda essa educação orçamentária que devemos ter. Poupe e invista sempre, periodicamente reveja seus objetivos, pratique o desapego, tenha cuidado ao parcelar viagens. No mais, é fazer do ano de 2017 o seu melhor ano de planejamento financeiro. Boas festas! E não deixe para pensar nisso só com um copo de champanhe na mão, pois, nessas horas, as promessas tendem a ser vazias e nunca cumpridas...


Rafael Souza
Administrador
Oficina de Valores

0 comentários:

Postar um comentário