Por: Carolline
Imagem: divulgação 

Animais Fantásticos e Onde Habitam se passa 70 anos antes do início da jornada de Harry Potter, o menino que sobreviveu, especificamente no ano de 1926. Não se trata de uma história do Harry, mas de uma história totalmente nova, dentro do universo mágico. Claro, o filme faz referências à trama de HP, como os feitiços, um bruxo das trevas já mencionado antes, linhagens de famílias citadas que aparecem no tempo de Potter. A experiência de ver o filme pode ser mais divertido se o espectador tiver um pouco o conhecimento dessas informações. Porém, não fique triste, você que nunca assistiu a um filme sequer da saga, ou não leu nenhum dos livros, pois o filme é novo e foi feito para introduzir novas personagens nesse universo, tanto que faz questão de apresentar bem as personalidades delas, que se desenvolverão ao longo de cinco filmes dessa nova fase. A história também nunca foi lida pelos fãs da saga antes, então foi surpresa para todos o caminho que iria tomar o enredo.

Falando agora mais das impressões que tive do filme, confesso que saí do cinema sem saber muito que pensar, assimilando algumas coisas. Era uma mistura de animação por voltar ao universo e pensamentos sobre o enredo. Um dos pontos fortes do filme é o fato J. K. Rowling (autora dos livros da série) ter o dom de colocar o universo bruxo no contexto histórico e cultural. Ela deteve todo processo criador desse filme, escreveu o roteiro e pode reproduzir bem o clima da década de 20 dos EUA. As severas leis de imigração impostas pelo governo e o momento pré-crise de 1929. A ambientação do filme é muito boa, o cenário, os figurinos, além de toda relação do mundo bruxo com a época e a forma de se portar de cada personagem. Um exemplo bem claro dessa cultura americana pré-crise, de prosperidade, é do personagem Jacob Kowalski (Dan Floger), quando ele vai ao banco pedir um empréstimo para abrir uma padaria, numa época em que todos querem ter seu próprio negócio nos EUA.

Uma das coisas negativas, em minha opinião, é que há momentos em que o filme parece meio frouxo. Claro que tem alivio cômico, mas não é por causa dele que tenho essa sensação, e sim pela ameaça que o filme apresenta. J.K. faz um jogo, o que eu gosto bastante, para descobrir quem é o antagonista do filme, aquele que deve fazer o enredo rodar. Mas penso que, se fica claro quem é o monstro dessa história, não dá pra dizer o mesmo, para quem não é iniciado na saga, sobre a introdução do vilão que vai fazer parte da sequência da história, o bruxo Gridelwald (Johnny Depp); uma pessoa só tem noção da proporção do mal que ele representa tendo ideia do quanto esse bruxo das trevas interferiu no universo mágico, o que é contado nas histórias de Harry Potter. Mas haverá mais filmes, então tenho esperança de que isso seja melhor explorado nos próximos. 

O diretor David Yates também dá umas vaciladas nos takes, deixando bem engessados atores que costumam fazer e fizeram nesse filme boas atuações. E por último, acho o ator Eddie Redmayne bastante caricato, lembrando em certos momentos a atuação dele em a “A Garota Dinamarquesa” e no início de “A Teoria de Tudo”, me deixando com a sensação de estar vendo mais o ator do que seu personagem, Newt Scamander.

Mesmo com esses pontos negativos fiquei bem feliz com o filme. Outras coisas bacanas são os assuntos importantes tratados nele, como o abuso que o personagem Credence (Ezra Miller) sofre de sua "mãe", sendo explorado, como todas as crianças adotadas pela mulher. Era considerado “esquisito” e, em certo ponto, menos importante que os outros pela mãe, apanhando dela. Mais tarde os problemas dessa dor causada a ele vêm a aparecer, problemas causados por essa dificuldade de observar cada pessoa como um indivíduo único e diferente de nós mesmos e pelos preconceitos de pessoas que às vezes são de nossa confiança, o que faz grandes estragos na vida de todos. Muitas pessoas também não eram capazes de ver o menino apenas como alguém que precisava mais de ajuda do que de recriminação, mais de pessoas que fossem sinceras e o amassem do que pessoas que o ajudavam em troca da utilidade que ele poderia ter. Mas algumas personagens vão na contramão disso, tanto que, para acalmar Credence num momento de crise, Newt Scamander tenta ver com bondade a dor dele, e a personagem Tina Goldstein (Katherine Waterston) coloca em risco seu emprego para defender o menino dos abusos da mãe. Ela sofre consequências bem ruins por isso, mas mostra, mesmo depois de punida, que não faria diferente. 

Outra coisa bacana do filme são, enfim, os animais fantásticos, habitantes do mundo misteriosos criado dentro da mala do nosso magizoologista Scamander. O cuidado dele com os animais e o desejo de que as pessoas conheçam as incríveis criaturas, mostrando quantas coisas boas elas podem oferecer à humanidade e quão dóceis são, vem nos lembrar de que é preciso conhecer antes fazer juízo sobre qualquer coisa. Num paralelo com os dias de hoje, parece que com o advento das redes sociais as pessoas têm se esquecido disso, de que devemos aprofundar-nos num tema antes emitir opinião sobre ele.

O filme trouxe muitos elementos legais e uma nova aventura para acompanhar. Estava com muita saudade do universo, então a conclusão a que chego é que, se num primeiro momento não sabia o que sentir depois do filme, ao colocar no papel vejo quer que a alegria por estar de volta ao mundo bruxo prevalece.

Caroline Ramos Dias
Estudante de História
Oficina de Valores

1 comentários:

Camila Coutinho disse...

Tudo muito bom, melhor história de ficção EVER! Dou nota 9,9 para o filme, pois não existe nada tão bom que não possa melhorar ainda mais né? Aguardo ansiosamente para o próximo. A historia é muito fácil de entender e os atores podem transmitir todas as suas emoções, Animais Fantásticos e Onde Habitam é muito interessante. Eu recomendo muito e estou segura de que se converterá numa das minhas preferidas.

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