Por: Vitória
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Já de primeira vou dizer que as crianças me encantam, independente do laço afetivo ou do tempo que passo com elas – mesmo que seja um breve momento ou uma admirada rápida ao caminhar pelas ruas. Fico muito empolgada com os gestos, as falas e a fofura das bochechas. Bebês e crianças conseguem facilmente prender a minha atenção.

Venho de uma família bem numerosa e não se passa muito tempo sem que haja o nascimento de uma criança para paparicar, mesmo que somente nas festas familiares. Mas nesse ano tivemos um nascimento mais que especial e bem pertinho. Há nove meses venho tendo uma experiência ímpar de convivência com um bebê.

Como tia e madrinha corro o risco de ser rotulada “babona” (e sou mesmo) e a partir daí podem pensar que sou só mais uma pessoa que acha o bebê amado fantástico. Talvez esse possa ser mesmo o caso. Ainda assim, penso que é necessário que nos atentemos aos detalhes de cada um deles. Esses são os detalhes da Laura.

Laura desde o início trouxe um bocado de coisas consigo. Num primeiro momento, a preocupação e o cuidado de uma gestação de risco, uma grande sensação de responsabilidade para a família toda. Mesmo nesse período, já nos trazia a satisfação de sentir os chutes e mexidas, que só aumentavam com o tempo. Depois, a alegria e o alívio indescritíveis de ver, em um rostinho redondo, aqueles olhos abertos para o mundo. Trouxe um punhado mais de responsabilidade e um outro tanto de preocupação. Esses descobrimos já no primeiro minuto.

A partir daí, só novidades. Percebemos que a Laura carrega, para onde quer que vá, tudo o que trouxe de felicidade e esbanja-a, porque esta não tem fim do lugar que vem. Nos deu a oportunidade de conhecer o carinho, que foi trazido na forma mais pura e é também distribuído por aí na quantidade que couber em duas pequeninas mãos. Este muitas vezes vem acompanhado de um sorriso sem comparação.

Quando dorme, libera o descanso para todos que admiram aquela pequena com os olhos fechados e mãozinhas juntas, bem relaxada. Nesse momento, nos permite reparar uma vez mais todos os detalhes tão lembrados, desde o cabelo, que ainda não consigamos descobrir se é liso ou em cachos, até os pés gordinhos, que agora cisma em querer apoiar em todo canto na firmeza de quem quer logo ter domínio sobre seu destino, se dirigindo para onde queira ir.

Diariamente ela distribui em gestos simples a gratidão pelas noites mal dormidas dos seus pais, pelas mamadeiras e papinhas preparadas, pelas fraldas compradas e trocadas, pelo cansaço físico acarretado por tudo isso e por carrega-la nos braços, essa bebê que já está um tantinho pesada. Acho que ela não tem ideia de que gratos somos nós por podermos fazer tudo isso e do quanto ela tem feito diferença em nossos dias.

Na espontaneidade de uma risada rouca por um simples bater palmas ou por ver um pinguim de geladeira sem poder tocá-lo (é claro!), nos mostra ao que veio e para que somos chamados desde o nascer: à felicidade! Esperta como é, tem muito o que mostrar e mais ainda a nos ensinar. Cada momento é uma descoberta e a cada visita a surpresa de quem vê que o tempo voa.

Curioso pensar sobre como as coisas se encaixam e são feitas de forma natural desde a concepção. O amor nasce antes de um bebê nascer. A responsabilidade também. E os dois só crescem. Ter por perto um bebê é ajudar a moldar uma personalidade, um cidadão, participar do desenvolvimento de uma pessoa. Isso torna as coisas mais sérias, independente dos laços.

Conviver com a Laura é estar constantemente exposto ao novo e ao inesperado, é ter uma enxurrada de bons sentimentos e aprender a usá-los com quem convivemos, diante de qualquer situação. É querer que todas as pessoas tenham essa experiência e sintam tudo aquilo que não é possível descrever.

Dizemos por aí que sentimento e amor de pai e mãe são inigualáveis. Longe de discordar, posso dizer que devemos amar e sentir independente disso. Que sejamos tios, irmãos, primos, filhos, netos, com amor inigualável. Que sejamos pessoas que distribuem este amor em grandes doses e que recordemos sempre que somos chamados a felicidade. A quem interessar possa, tenho uma Laurinha que sabe nos lembrar disso muito bem.


Vitória Lopes
Estudante de Arquitetura
Oficina de Valores

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