Por: Carolline


Passado, presente e futuro, tempos verbais, que exprimem a temporalidade do que vamos comunicar. No passado já aconteceu, no presente está acontecendo e no futuro irá acontecer. Entretanto, mais do que tempos verbais para o uso em nossa comunicação, são a medida temporal de nossas vidas, de tudo aquilo que passou, tudo aquilo que estamos passando e tudo que virá.

Dentre essas questões temporais, o presente, que é aquele que melhor serve a humanidade, costuma ser o menos “lembrado”, apesar de o estarmos vivendo. Quando estão no tempo presente, as pessoas na sociedade atual costumam pensar mais sobre um passado que gostariam que voltasse e/ou o futuro que gostariam que fosse melhor, mas nunca que o presente poderia mudar tudo (tanto o como você olha o passado ou o futuro). Porém, vamos deixar o passado de lado um pouco (sei que é estranha essa frase vinda de uma estudante de História). Acredito que o passado nos importa pelo presente, pois o presente é reflexo do que realizamos ontem e o hoje é quem gerará o futuro que poderá mudar muita coisa (talvez num próximo texto falemos sobre o passado...).

Como toda pessoa, eu também constantemente me pergunto sobre o futuro, pois ele me gera insegurança, me gera medo, mas também me dá esperança, porque ainda não chegou e poderá chegar melhor do que o presente. Quem nunca esteve diante de decisões a serem tomadas e se questionou sobre o futuro? Por exemplo, diante de uma faculdade que vai terminar e se perguntou “o que será de mim agora?”, ou um estudante do ensino médio que se pergunta “e agora, o que vou fazer?”, “que profissão seguir?”. Ou até mesmo diante de mais de uma oportunidade de emprego (o que acho difícil agora para boa parte dos brasileiros) onde precisamos decidir por qual será melhor optar, qual levará para um caminho que o fará mais felizes. Decidir se mudamos de cidade ou não por causa de uma necessidade ou se nos arriscamos por uma possibilidade de cura recém-descoberta de uma doença. Somos cheios de encruzilhadas na vida nas quais teremos que nos decidir, mas o futuro, esse tempo que ainda não existe, nos causa angústia e as nossas decisões são pautadas pela pergunta principal: “O que será?”. E parece que o que virá a acontecer será fruto de um mero jogo de sorte e azar, mas não é bem assim.

Há duas maneiras de sucumbirmos ao futuro e a ansiedade. A primeira é esperando muito do futuro: viver sonhando demais, empolgado com o futuro além da conta, viver em um mundo imaginário, porque é melhor do que o presente. Esquecer-se de viver o hoje torna impossível que os sonhos virem realidade, seja quando for. Pensar muito no futuro nos faz perder tempo que poderíamos gastar vivendo melhor nosso presente e, quando o futuro se torna presente e o amanhã se torna hoje, a sensação de vazio continua a mesma. Nada mudou do ontem, parece tudo igual, o desejo incansável de que o amanhã melhore, de que serei melhor, mas nada realizamos no hoje para mudar o amanhã. Porém, ter sonhos e ideais para o futuro é um caminho de felicidade, mas é necessário que ajamos diante daquilo que queremos, como treinar duro para ser campeão em algum esporte, estudar para descobrir algo incrível, juntar dinheiro para comprar uma casa e diversas outras coisas que possamos almejar. Nada cai do céu.

A segunda forma é tendo muita resistência ao futuro: ter medo do que pode acontecer geralmente é uma insegurança gerada por traumas e a partir disso deixamos oportunidades maravilhosas que se apresentam nas nossas vidas passar. E pode ser que essas oportunidades jamais voltem. É mais comum do que pensamos que pessoas que sofreram frustrações, sofrimentos árduos na vida, tenham medo do que há de vir, medo das frustrações que possam acontecer novamente, medo de que algo de mal aconteça, ou aconteça a quem ama e por isso venha a sofrer de novo. Há também os ansiosos naturalmente, os quais o futuro os aterroriza constantemente. O fato de não terem controle sobre algo amedronta, mas nem tudo depende sempre de nós. O que não quer dizer que a vida será um fiasco, que viveremos caindo em “cilada, Bino”. Precisamos confiar em que o como vivemos o presente será o suficiente para lidar com o futuro. Mesmo que não seja como esperamos, precisamos cuidar da nossa maneira de encarar a vida. Esse estado de medo do futuro nos causa um mal enorme e muitas pessoas hoje em dia sofrem de ansiedade, um estado que dificulta nosso viver. Porém, faço aqui uma observação: ter prudência, cautela com o futuro, querer esperar mais tempo para sarar feridas, fazer do tempo um remédio, é bom também, faz parte de nosso caminho para ser feliz e poder ter um futuro melhor. Não que vamos conseguir controlar tudo, mas que vamos conseguir lidar com maior tranquilidade com aquilo que não sair do jeitinho que queremos, ou com as adversidades que vierem.

O presente é de fato um “presente”, vivê-lo bem nos dá a oportunidade de aproveitar um breve toque na eternidade e mudar muito em nós e ao nosso redor. E finalizando, cito a frase de um pensador com o qual nem sempre concordo, mas que cai como uma luva ao final desse texto: “Só o presente é verdadeiro e real; ele é o tempo realmente preenchido e é nele que repousa exclusivamente a nossa existência.” (Schopenhauer)


Carolline Ramos
Estudante de História
Oficina de Valores

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