Por: Daniela
É notório que consumimos muitos conteúdos midiáticos. Eles estão presentes em quase tudo que fazemos, na timeline que olhamos, na foto que curtimos, nas noticias que escutamos e até em nossas leituras. Estamos cercados de conteúdos, sejam eles bons ou ruins, que estão presentes em nosso cotidiano. Nas redes sociais, no entanto, estes possuem uma difusão peculiar por seus consumidores. Explico-me porquê, devido aos últimos assuntos em alta, comecei a notar a seguinte situação: na maior parte das vezes difundimos posições que não concordamos.

Mesmo que esta frase pareça não ter coerência e te sugira a desistir do texto, peço-te que me deixe explicar. Observando assuntos que receberam muita atenção midiática como o aborto, o movimento feminista, medidas governamentais polêmicas, tive a oportunidade de presenciar as atitudes mais inesperadas, a exemplo, amigos cristãos divulgando, na intenção de reprimir tal atitude, os sacrilégios cometidos por um determinado grupo extremista ou um pacifista divulgando as terríveis imagens da guerras. Em um primeiro olhar não há nada de errado nisso, acredito que o pensamento vivenciado por estes seja algo similar à “que coisa horrível, não é justo que isto aconteça, é preciso que as pessoas vejam e essa situação se modifique”. 

Atrevo-me a dizer que sinto o mesmo, o quanto me incomoda a guerra ou o desrespeito. No entanto, sustento-me em minha singela opinião de que esta resposta ao ocorrido é quase sempre equivocada. Eis a razão de tal pensamento: ambientes midiáticos sociais não visam o bom comentário, ou seja, os elogios, necessariamente. Visam a audiência. A máxima popular exprime bem a intenção daqueles que precursores de conteúdos polêmicos em ambientes virtuais, “Falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

A recorrência de atitudes como esta me fizeram refletir: qual a razão para tal postagem? A resposta parece óbvia, reprimir ou ate mesmo advertir uma situação incorreta ou desrespeitosa. Porém, acredito que a resposta esteja além disso. Não é pelo simples incomodo que nos causa que o fazemos e sim por acreditarmos que o erro merece mais espaço do que o acerto.

Por mais que tenhamos nitidamente no nosso interior os parâmetros entre certo e o errado, tendemos a crer que a melhor maneira de evidenciar o que é bom, consequentemente, o que é correto, é explorando o seu inverso, ou seja, o ruim, o errado. Podemos exemplificar isso em vários âmbitos dos veículos midiáticos e sociais, além dos já citados. Como por exemplo, a exploração de tragédias pelos grandes jornais, a exposição da dor dos que sofrem por alguma calamidade e os conflitos familiares exibidos em tom de piada.

O que quero dizer é: a partir desse contato tão constante com o imoral, fazemos o caminho inverso do que seria o ideal. Ao absorvermos tantos conteúdos pejorativos e discriminantes, tendemos a encara-los como normais e não como incorretos. Somos bombardeados por notícias ruins, chocantes, tristes e permanecemos inertes a elas. Ou seja, no final fazemos aquilo que seus difusores almejaram: nos tornamos audiência.

Resumo meu pensamento na ideia de que quando observamos e paramos nisso, quando não fazemos nada além de absorver certa informação tomamos uma atitude também ruim que é a passividade. Se o máximo que fazemos é compartilhar uma foto do grupo de feministas extremistas na praça do vaticano ofendendo a imagem de Jesus e não nos esforçamos com atos concretos para que o que Cristo defende sobre a dignidade da mulher seja conhecido, não somos defensores da verdade e do correto, somos apenas espectadores do erro. Olhamos para ele, sabemos que algo não está correto, mas exploramos a sua imagem mesmo assim, porque, no final, dizer o que é errado é mais fácil do que viver o que é certo.

Ao contrário, mais do que apenas denunciar, temos o dever de anunciar. Se não podemos apagar o mal, nosso empenho deve ser em ofuscá-lo com aquilo que é bom, propagando mais a verdade e a justiça que as ofensas e os conflitos. E embora dizer o que é errado seja mais fácil do que viver o que é certo, é apenas fazendo com que os olhos vejam o bem que conseguiremos fazer o coração sentir o mesmo.


Daniela Pires
Estudante de Comunicação

0 comentários:

Postar um comentário